Aprender fazendo testes práticos pode proteger a memória contra o estresse

Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

Embora diversos estudos defendam que o estresse prejudica a memória, o resultado de uma pesquisa atual mostrou que essa relação pode ser afetada se a pessoa praticar estratégias de aprendizagem.

Um estudo, publicado pela Science, mostrou que responder a testes durante o momento de aprendizado protege a memória contra os efeitos do estresse.

Os cientistas da Universidade de Tufs, nos EUA, pediram aos participantes que memorizassem um conjunto de 30 palavras e 30 imagens, que foram exibidos um a um durante alguns segundos. Os participantes tinham 10 segundos para escrever uma frase usando o item imediatamente após vê-lo.

Como foi feito o teste?

Um grupo de participantes fez testes práticos usando o método de recuperação: durante um período cronometrado eles recordavam livremente tantos itens quanto pudessem se lembrar.

O outro grupo de participantes fez testes usando o método de reestudo: os itens foram reexibidos na tela do computador, um de cada vez, por alguns segundos cada.

Após uma pausa de 24 horas, metade de cada grupo foi colocada num cenário de indução de estresse. Eles foram obrigados a dar um discurso inesperado, improvisado e resolver problemas de matemática na frente de dois juízes e de uma câmera de vídeo.

Os participantes fizeram dois testes de memória, onde era preciso lembrar as palavras ou imagens que eles haviam estudado no dia anterior. Esses testes foram realizados durante o cenário de estresse e vinte minutos depois, para examinar a memória sob respostas de estresse imediato e retardado. O restante dos voluntários foi testado durante e após uma tarefa não-estressante.

As pessoas estressadas que aprenderam pelo método de recuperação conseguiram lembrar cerca de 11 itens de cada conjunto de 30 palavras e imagens, enquanto as que não passaram pelo estresse lembraram dez itens.

Os participantes que aprenderam usando o método de estudo lembraram menos palavras em geral, com uma média de 7 itens para indivíduos estressados e uma média 9 itens para aqueles que não estavam estressados.

iStock
Segundo Amy Smith, uma das autoras do estudo, aprender fazendo testes e ser forçado a recuperar informações repetidamente tem um forte efeito sobre a retenção de memória a longo prazo e parece continuar a ter grandes benefícios em situações estressantes.

O estudo avaliou se os candidatos foram afetados pelos cenários de estresse utilizando monitores de frequência cardíaca e questionários padronizados. Para os cientistas, os resultados podem ajudar especialmente os educadores a melhorar o formato de ensino dos alunos.

O próximo passo da pesquisa é avaliar se a prática da recuperação pode beneficiar a memória no aprendizado de uma língua estrangeira ou em cenários estressantes fora de um ambiente de testes.

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