Nuvem de gás colidirá com a Via Láctea e choque deve criar novas estrelas

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Nasa

    Imagem artística da Nuvem Smith, que teria sido catapultada pela própria Via Láctea

    Imagem artística da Nuvem Smith, que teria sido catapultada pela própria Via Láctea

Existem diversas nuvens de gás orbitando a Via Láctea. Uma das primeiras a ser observada foi a Nuvem Smith, descoberta por Gail Smith em 1963. Essa nuvem surpreendeu os astrônomos nos anos 2000 devido a uma assustadora conclusão: ela está em rota de colisão com a Via Láctea. Agora, uma pesquisa da Nasa traz novas descobertas. A Nuvem Smith está, na realidade, voltando em direção à Via Láctea, após ter sido catapultada no espaço pela nossa própria galáxia. 

Ela "cai" rápido. A nuvem, que possui quantidade de hidrogênio suficiente para criar 2 milhões de estrelas do tamanho do nosso Sol, se move pelo espaço a cerca de 300 km/s. No momento do impacto com um dos braços de nossa galáxia, uma explosão brilhante poderá levar à formação de novas estrelas. Mas, calma! O choque ocorrerá apenas daqui a 30 milhões de anos e provocará no máximo um leve "arranhão" na Via Láctea.

A Nuvem de Smith é minúscula em comparação com a espiral de estrelas gigante que compõe a nossa galáxia. O fato de estarmos caminhando para uma colisão estrelar nas vizinhanças do Sistema Solar desperta interesse nos cientistas muito mais pelos enigmas do fenômeno do que pela dimensão de suas consequências. A pesquisa mais recente ajuda a entender a origem da Nuvem Smith.

"Havia duas principais teorias. Uma delas era a de que a Nuvem Smith foi ejetada da Via Láctea, talvez por uma série de explosões de supernovas. A outra era de que a nuvem Smith é um objeto extragaláctico que foi capturado pela Via Láctea", diz Andrew Fox, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, da Nasa (Agência Espacial dos EUA). 

Para investigar essas teorias, Fox e seus colegas examinaram a nuvem com auxílio do Telescópio Espacial Hubble em busca de pistas. Ao perceberem a luz ultravioleta de três galáxias distantes ser absorvida pela nuvem, eles constataram que um dos elementos presentes na nuvem é o enxofre. Analisando a quantidade de luz que a nuvem Smith absorve, os astrônomos conseguiram medir a abundância de enxofre que ela possui.

Tais dados levaram os pesquisadores a considerarem que a teoria da familiaridade entre a nuvem Smith e a Via Láctea é a mais plausível. "A abundância de enxofre na nuvem Smith é semelhante à abundância de enxofre no disco externo da própria Via Láctea", diz Fox.

Para o cientista, a nuvem teria sido ejetada da Via Láctea há 70 milhões de anos e estaria voltando ao lugar de onde saiu. Enquanto realiza a viagem "para trás", a Nuvem Smith vai se fragmentando e evaporando. "Está basicamente caindo aos pedaços", diz Fox. "Isso significa que nem todo o material da nuvem Smith sobreviverá para formar novas estrelas ao colidir com a Via Láctea".

Agora, os cientistas querem esclarecer outros mistérios. Que evento calamitoso teria catapultado a nuvem da Via Láctea? E como a nossa galáxia permaneceu intacta? Ainda temos 30 milhões de anos para pensar nessa nuvem de dúvidas que cai sobre nossa casa

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