Formação de nuvens é vista pela 1ª vez fora do Sistema Solar

Do UOL, em São Paulo

  • Mark Garlick/University of Warwick

    Exoplaneta HAT-P-7b tem formação de nuvens, segundo estudo publicado na Nature

    Exoplaneta HAT-P-7b tem formação de nuvens, segundo estudo publicado na Nature

Atenção para o primeiro boletim meteorológico de um planeta fora do nosso Sistema Solar. Segundo estudo publicado nesta segunda (12) na revista Nature, a atmosfera do planeta gasoso gigante HAT-P-7b, que fica a cerca de mil anos-luz da Terra, muda irregularmente com o passar do tempo.

Fenômenos que parecem ser meteorológicos nunca haviam sido vistos em um planeta fora do Sistema Solar. A equipe comandada pelo cientista David Armstrong, da britânica Universidade de Warwick, estudou quatro anos de medidas de flutuação da intensidade de luz no exoplaneta feitas pelo observatório espacial Kepler.

Calor e "nuvens de safira" 

Os astrônomos perceberam que a posição do pico de brilho do exoplaneta mudava com o tempo por causa de variações na velocidade do vento atmosférico, que provocou mudança na cobertura de nuvens. O HAT-P-7 b tem uma temperatura de superfície de aproximadamente 1.927º C e gira em torno de sua estrela a cada dois dias terrestres. 

O sistema meteorológico apontado pelos cientistas mostra que a face com a luz do correspondente a seu Sol é muito mais quente que o lado que está na sombra. As nuvens então se condensariam no lado sombrio e a diferença de temperatura criariam ventos que fazem as nuvens fluir pelo planeta. 

Astrônomos descobrem planeta semelhante à Terra aqui "pertinho"

Não pense, entretanto, que estas nuvens são semelhantes às da Terra: pela alta temperatura da atmosfera, é provável que minerais sejam vaporizados. Baseado no ponto de ebulição, as nuvens devem ser compostas de um metal que forma rubis e safiras na Terra. Isso, contudo, tem que ser confirmado por futuros estudos. 

Futuros equipamentos podem trazer mais novidades

Embora ainda muito difíceis de serem feitas, observações de atmosferas exoplanetárias se tornaram mais comuns nos últimos anos. Detectar qualquer mudança nessas atmosferas, contudo, é significantemente mais complicado, já que equipamentos atuais não têm a sensitividade necessária.

As observações, contudo, são valiosas para nosso entendimento de como os exoplanetas funcionam. Os autores do estudo afirmam que a descoberta abre caminho para um monitoramento de mudanças meteorológicas em exoplanetas futuramente.

Os cientistas citam ainda que missões espaciais planejadas para os próximos anos, como a JWST, CHEOPS e a PLATO, poderão fornecer mais detalhes, já que contam com instrumentos com maior sensibilidade.

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