Clique Ciência: Existe um lugar da Terra mais atingido por meteoritos?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

  • Ethan Miller/Getty Images/AFP

    Chuva de meteoros Perseidas ilumina a noite em Utah, nos Estados Unidos

    Chuva de meteoros Perseidas ilumina a noite em Utah, nos Estados Unidos

Ao longo do ano, o planeta Terra é bombardeado por toneladas de fragmentos vindos do espaço —como pedaços de rochas e metais de asteroides, cometas e até mesmo de planetas —, segundo a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana).

Aqueles fragmentos que conseguem chegar até a superfície sem antes se desintegrarem completamente devido ao atrito com os gases da atmosfera da Terra, passam a ser chamados de meteoritos. Alguns são minúsculos, mas outros podem pesar toneladas, como o meteoro que explodiu em 2013, nas proximidades da cidade de Chelyabinsk, na Rússia. O meteorito com uma massa estimada de 10 toneladas deixou mais de 500 pessoas feridas por conta da onda de choque gerada pela entrada do meteoro na atmosfera.

AP Photo
Buraco circular mostra o local em que caiu um meteorito na Rússia em 2013

Em 1908, um meteorito de grandes dimensões já tinha atingido o país, próximo do vale do rio Tunguska, destruindo uma área de floresta do tamanho aproximado da cidade de São Paulo.

Onde cai mais?

Então, com tais registros, podemos dizer que a Rússia é um dos locais mais atingidos por meteoritos na Terra? Bem, a resposta é não. De acordo com os cientistas, não existe um lugar no planeta em que há uma tendência maior ou menor para um meteorito cair. Eles caem aleatoriamente e isso pode acontecer em qualquer ponto e a qualquer momento.

Por isso, para os estudiosos, a extensão do território e o acaso são as principais explicações para o "azar" russo.

"Para saber se um meteoro de fato chegou à superfície, é preciso ter visto ele cair do céu ou encontrar o fragmento no solo. Assim, a tendência é que se encontre muito mais meteoritos em locais mais povoados. Mas isso não significa que eles não tenham caído em uma área de floresta densa, por exemplo. Mas ninguém viu, ninguém achou", explica Maria Elizabeth Zucolotto, professora e pesquisadora especialista no tema do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

A professora cita ainda que é comum afirmarem que as quedas são mais frequentes entre os meses de julho e agosto. "Mas também se especula que é porque são meses de verão nos países desenvolvidos e com mais pessoas nas ruas".

Jacques Demarthon/AFP
Meteorito em exposição no Museu de História Natural de Paris

Onde estão?

Em 2013, o site CartoDB, especializado em geolocalização, fez um mapa mostrando todos os lugares onde quedas de meteoritos e meteoros foram oficialmente registradas —seja os encontrados em terra ou aqueles cuja descida foi presenciada.

O mapa foi criado a partir dos dados da Meteoritical Society, um grupo internacional que registra todos os meteoritos reconhecidos pela comunidade científica. Na época, a lista contava com pouco menos de 35 mil registros.

O resultado foi uma distribuição que vai ao encontro à explicação da professora, relativamente uniforme e mais próxima de áreas povoadas, como é o caso dos Estados Unidos e países da Europa.

Deserto, frio e mar

Além de lugares povoados, duas regiões terrestres são conhecidas como verdadeiras "minas" de meteoritos: os desertos e a Antártida. Nesses ambientes, o processo que modifica as características das rochas acontece mais lentamente, o que preserva os meteoritos por mais tempo.

Há outro fator: na Antártida, por exemplo, é mais fácil detectar um meteorito que caiu há pouco tempo, por conta do contraste entre sua crosta de fusão que é escura e o gelo, que é claro.

Além disso, também é preciso levar em conta que boa parte dos fragmentos caem nos mares e oceanos, uma vez que 70% da superfície da Terra é coberta pela água.

Renato Luiz Ferreira/Folhapress
O meteorito do Bendegó foi encontrado no sertão da Bahia e pesa 5,36 toneladas. Ele está no Museu Nacional desde 1888

E no Brasil?

De acordo com a Meteoritical Society, o Brasil registrou 70 meteoritos em seu território (além de 6 ainda sem comprovação e 6 crateras). O mais velho e também o maior deles é o Bendegó, encontrado na Bahia, em 1784, pesando 5,36 toneladas.

Segundo os registros, Minas Gerais é o Estado com maior número de registros (20). "Isso acontece pela tradição de exploração mineral do Estado. Com isso, as pessoas estão mais treinadas para encontrar e reconhecer o meteorito. Diferente da região Norte, por exemplo, que tem uma área de mais difícil acesso por conta da floresta Amazônica", diz Elizabeth.

Mesmo o Brasil tendo quase 50% da área da América do Sul, a amostragem daqui é bem menor que países como o Chile (939) e Argentina (87), com territórios menores. Um dos fatores que dificultam a identificação e a coleta de meteoritos no Brasil está relacionado ao clima quente e úmido, que modifica rapidamente o aspecto desses corpos, confundindo-os com rochas comuns, e as extensas áreas cobertas por mata nativa.

Outro ponto está relacionado à falta de informação da população e a dificuldade para identificar os meteoritos. "Já recebi uma amostra de meteorito que estava há 20 anos dentro de um galpão e ninguém fazia ideia de que podia ser um", diz Elizabeth.

Como identificar um meteorito?

Se você ficou na dúvida se já viu um meteorito e "passou batido", existem algumas dicas para saber como identificá-lo:

1. Eles são pesados - em geral, são um pouco ou muito mais pesados que uma rocha terrestre do mesmo tamanho.
2. São atraídos por ímãs - praticamente todos os meteoritos são atraídos por ímã, mas não são magnéticos.
3. Lixe uma partezinha - geralmente, o interior do meteorito tem uma cor de aço.

Também é possível tirar uma foto da pedra e enviar para o setor de Meteorítica do Museu Nacional do Rio de Janeiro

Especialista e fontes consultadas: Maria Elizabeth Zucolotto, professora e pesquisadora especialista no tema do Museu Nacional do Rio de Janeiro; Nasa (Agência Espacial Norte-Americana); www.meteoritos.com.br; The Meteoritical Society


 

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