Consegue enxergar o que está escrito neste teste de cores?

Paula Moura

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Teste sobrepõe cores com pequena diferença de tom

    Teste sobrepõe cores com pequena diferença de tom

Você consegue passar no teste de cores? Mais de 1 milhão de pessoas parecem ter feito essa pergunta nos últimos dias. Mas será que o teste tão popular na internet tem validade científica? Nele, uma palavra é escrita em um tom ligeiramente diferente da mesma cor do quadro em que está inserido.

A resposta dos especialistas consultados pelo UOL é que realmente se trata de uma brincadeira e não é possível fazer qualquer diagnóstico a partir dele.

"É uma brincadeira, não tem nada de científico. Você consegue ver um certo nível de contraste, mas não tem parâmetros para avaliar se a pessoa tem alguma dificuldade (de visão) ou não", diz Leonardo Toledo, professor da Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu. "Esse teste não serve para diagnosticar nenhum problema".

Por exemplo, não é possível nem mesmo dizer se a pessoa é daltônica, a menos que a pessoa não visse nenhuma das cores, explica o médico. Um tipo extremamente raro de daltonismo enxerga apenas tons de cinza.

Reprodução
Teste de Ishihara determina se a pessoa tem daltonismo e o grau da doença

Para determinar os diversos graus possíveis de daltonismo (não enxergar vermelho, verde, azul, amarelo ou todas cores), existe um teste chamado "Teste de Ishihara", que mistura essas cores em pontos pequenos formando um número.

Toledo conta que no Teste de Ishihara, as pessoas com certo tipo de daltonismo podem ver um número e outras pessoas com outro tipo podem ver outro número. O teste serve para descobrir se determinadas células da retina responsáveis por ver as cores estão enxergando bem.

"Mais de 95% dos daltônicos têm dificuldade para verde e vermelho", diz Toledo. "Mas a dificuldade geralmente aparece quando uma cor está junto da outra, não quando estão separadas".

Se as cores do teste da internet não são misturadas, ele mediria o contraste? Talvez, mas em uma escala impossível de ser usada para diagnóstico. A perda de contraste pode estar ligada ao aparecimento de catarata precoce, por exemplo.

Gary Cronitch/BBC
O camarão mantis (odontodactylus scyllarus) possui o mais complexo sistema de visão do mundo marinho

Até um camarão vê mais cores que a gente

"A habilidade de ver cor é genética, adaptativa e até cultural", diz Luciana Ramalho, bióloga e doutoranda em neurociência na Unicamp. "Os esquimós conseguem nomear vários tons de branco. Dependendo dos genes recebidos dos pais, uma pessoa pode ter maior capacidade de distinguir mais tons de cores diferentes."

Além disso, cada espécie tem um conjunto de células capazes de ver certas cores. Seres humanos conseguem ver mais cores que alguns animais, mas perdem para outros, como o camarão mantis. Essa espécie tem 12 tipos de células fotorreceptoras (apesar disso, não veem as cores com a mesma nitidez que os humanos).

Nós não captamos a irradiação infravermelha, que é percebida pelas cobras. Nem vemos a irradiação ultravioleta, que é percebida por pássaros e alguns insetos.

Em nossa retina, temos células chamadas de "cone", que são responsáveis por captar diferentes comprimentos de ondas. Algumas percebem os comprimentos longos, mais perto do vermelho, e outras percebem os curtos, mais perto do azul. Se alguém tem algum problema nessas células ou não possuem algumas delas, então não é capaz de enxergar determinada cor.

No entanto, aliada à retina potente, está a capacidade de interpretação de cores do cérebro, por isso, não dá para comparar nossa visão exatamente com a dos animais.

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