Esses jovens amam calcular e vão representar o Brasil em competição da Nasa

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

  • Isabela Bastos

    A equipe Spacetroopers e o rover (equipamento de locomoção) que criaram para participar de competição da Nasa nos EUA

    A equipe Spacetroopers e o rover (equipamento de locomoção) que criaram para participar de competição da Nasa nos EUA

Não será tarefa fácil para a Nasa levar veículos até Marte em seus planos de exploração do planeta vermelho. O carrinho precisa ser compacto para entrar na espaçonave e terá de encarar longas distâncias em um terreno pedregoso. A solução do problema pode vir de competições que a agência espacial norte-americana promove.

A SpaceTroopers, uma equipe formada por estudantes brasileiros, estará em uma delas com o veículo que construiu em uma escola em São Gonçalo (RJ). 

O grupo de estudantes, com idades entre 15 e 17 anos, é o primeiro brasileiro a participar do NASA Human Exploration Rover Challenge, competição que acontece todos os anos e tem como objetivo encorajar jovens a se interessarem pela pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias para missões tripuladas ou não a outros planetas.

Medalhistas

Para os seis integrantes do grupo, não foi tarefa fácil projetar o rover (equipamento de locomoção) que vão levar para Huntsville, no Alabama, onde fica o centro de desenvolvimento de foguetes da Nasa. Medalhistas em olimpíadas científicas, eles usaram o conhecimento dos anos de ensino médio para uma tarefa prática: criar um quadriciclo capaz de suportar duas pessoas em obstáculos extraterrestres.

"O requisito da Nasa é que o rover precisa ter 1,5 metros de largura, comprimento e altura. E não tinha como colocar dois astronautas nesse espaço", conta Rafaela Bastos, 17, sobre o primeiro problema que tiveram que encarar.

Só que além de jovens gênios, há na equipe gamers, multi-instrumentistas, poliglotas e campeões de xadrez... ou seja, criatividade de sobra. "Utilizamos vídeos da internet para ver como carros eram construídos, as ideias que funcionavam", conta Rafaela.

A solução em que chegaram foi um veículo dobrável movido com auxílio de pedais, leve e de baixo-custo (cerca de R$ 3 mil). Na competição nos EUA, a SpaceTrooper deverá percorrer com o rover que levará para lá um circuito de 800 metros repleto de obstáculos que simulam terrenos que poderiam ser encontrados em viagens espaciais. Mas o desafio do time agora ainda é saber quem possui mais habilidades para pilotar o equipamento, o que ainda não foi definido.

Luana Lima
Estudantes na biblioteca do colégio Santa Terezinha; ao centro, de faixa azul, está Rafaela Bastos, que liderou a formação da equipe

Calcular, ganhar medalhas e construir foguetes

Para ser inscrita, a equipe precisava de seis integrantes. Rafaela conta que já tinha um grupo no WhatsApp de amigos competidores de torneios científicos, que contava com Nathália Pires e Fellipe Franco, outros participantes da SpaceTroopers. 

Nathália é medalhista de olimpíada de robótica, e Fellipe, medalhista em olimpíada de química. A equipe precisava ser completa com jovens aficionados em cálculos. E os outros três integrantes chegaram após indicação de amigos.

Alexandre Rodrigues toca cinco instrumentos, fala quatro idiomas e é craque em xadrez e olimpíadas de matemática. Larissa Perrone ganhou medalha de prata e bronze em olimpíadas de matemática na França e na Índia. Yago Dutra, o mais novo da equipe, está no primeiro ano do ensino médio. Juntos, a turma coleciona mais de 50 medalhas em competições científicas nacionais e internacionais.

Eles já possuem uma boa torcida, formada por amigos dos colégios Santa Terezinha, Pedro 2º e Odete São Paio, em São Gonçalo e Niterói, onde estudam. O rover que vão levar para os EUA foi construído no colégio Santa Terezinha, que também está apoiando a viagem. Mas como não existe viagem galáctica fácil, eles estão arrecadando recursos para que possam arcar com os cerca de R$ 40 mil da viagem para os EUA.  O grupo organizou uma vaquinha virtual. A competição ocorre nos dias 30 e 31 de março e 1º de abril. 

"O maior prêmio será o reconhecimento", conta Rafaela, que lembra ainda que além da corrida de rovers, eles participarão de competições extras, como as que premiam os melhores relatórios de pesquisa, podendo voltar para o Brasil com algumas centenas de dólares. 

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