Everest pode não ser a montanha mais alta da Terra. Saiba por quê

Paula Moura

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Monte Everest, no Nepal

    Monte Everest, no Nepal

Como sabemos se uma montanha é a mais elevada da Terra? Sempre ouvimos que a montanha mais alta do mundo é o Everest, mas será que é mesmo?

"Tudo depende do referencial", explica o físico Ítalo Francisco Curcio, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A partir do referencial adotado, estabelece-se o critério que será utilizado, que pode ser o tamanho (ou altura), a altitude ou a distância até o centro de nosso planeta.

A altura é a medida vertical da base da montanha até o topo. A altitude é também uma medida vertical, porém é do topo da montanha em relação ao nível do mar. Todavia, existe outra medida muito utilizada, que é a da distância do topo da montanha até o centro da Terra.

Algumas vezes, a altura é igual à altitude. O Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, por exemplo. Como a base dessa montanha fica no nível do mar, altura e altitude são 392 m.

Mas muitas vezes não é assim que funciona, pois, a maioria das bases das montanhas --local onde se vê o início da elevação-- está localizada acima do nível do mar. Em casos mais raros, a base da montanha pode estar abaixo do nível do mar.

Qual é a maior montanha então?

Se contarmos a altitude, o critério mais utilizado, a montanha mais elevada do planeta é sim o Everest, com 8.848 m acima do nível do mar.

Mas, se a regra utilizada for a altura, o mais elevado do planeta é o monte Mauna Kea, no Havaí, com 10.123 m, sendo aproximadamente 5.900 m submersos no mar. "Ele não está numa cordilheira, não está numa serra, mas numa ilha", lembra Curcio.

Thirty Meter Telescope/AP
Telescópios no monte Mauna Kea, no Havaí

Agora, se o quesito for a distância em relação ao centro da Terra, é outra montanha que ganha: o Chimborazo, no Equador.

"A Terra não é uma esfera, é aproximadamente esférica. Então a distância do centro dela é diferente se você está no polo Norte ou na linha do Equador", explica o professor.

A distância do polo Norte ao centro da Terra é de 6.357 km, enquanto qualquer ponto da linha do Equador, é de 6.378 km, ou seja, uma diferença de 21 km. "O raio equatorial é 21 km maior que o raio polar", diz. "Portanto, à medida que se vai para o polo Norte, fica-se um pouco mais perto do centro da Terra".

O monte Chimborazo fica próximo à linha do Equador e tem altitude de 6.263 m. Porém, em relação ao centro da Terra, por estar no Equador, ele está mais distante que o Everest, que está acima da linha do Equador, mais próximo do Polo Norte do que o Chimborazo.

Creative Commons/Eduardo Navas
Chimborazo, no Equador

A distância do centro da Terra até o pico do Everest é de 6.382.605 m. Do centro da Terra até o pico do Chimborazo são 6.384.416 m. São 1.811 m de diferença a mais para o Chimborazo.

"Como em física todas as medidas dependem de um referencial, antes de você dizer qual é a medida, você precisa dizer qual é o referencial", alerta Curcio.

Aquecimento global diminuirá as montanhas?

As mudanças climáticas podem ter duas ações sobre as montanhas. Uma delas é a influência sobre os picos nevados. O aquecimento global pode evitar a formação de neve ou provocar derretimento.

"As publicações das medidas das montanhas não são exatas, elas são muito próximas de um valor médio, pois sofrem variações até dependendo do dia do ano. Por serem pequenas, não são consideradas", diz Curcio.

A outra é a elevação do nível do mar. Se o nível do mar sobe, a distância do mar ao pico da montanha diminui. Mas em se falando de altura da base até o pico, não tem diferença nenhuma.

Como é medido o nível do mar?

A medição do nível do mar é indireta, explica o professor. "É uma média entre a maré mais alta e a mais baixa, como se o mar estivesse parado. Não considera movimentos eventuais como tsunamis, por exemplo", diz.

Mas a medida da altitude em relação ao nível do mar é medida indiretamente por meio da variação da pressão atmosférica naquela região. Através de uma fórmula matemática, chega-se ao valor da altitude a partir da medida da pressão.

Se a pressão no nível do mar variou, por causa do aumento das águas, a pressão inicial na fórmula matemática será outra e isso permite chegar à nova medida da altitude. Considerando-se que não ocorra nenhum cataclismo ou alterações geológicas significativas na Terra, as montanhas mais elevadas para cada referencial continuam as mesmas.

Qual referencial é o mais correto no fim das contas?

"Não existe referencial oficial, existe referencial adotado. Ou você adota o referencial no nível do mar, base ou centro da Terra. Os três estão corretos, só é preciso deixar claro qual é o referencial", conclui Curcio.

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