Clique Ciência: Quantas estrelas podemos ver a olho nu?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

  • ESO

Dizer, exatamente, quantas estrelas podemos enxergar a olho nu durante a noite não é uma tarefa fácil, você já deve imaginar. O número depende de uma série de fatores, como a claridade do céu, condições climáticas e poluição.

Além da "qualidade do céu", a quantidade de estrelas visíveis também está ligada ao limite de brilho que conseguimos enxergar. No caso dos astros, como as estrelas e os planetas, os cientistas medem o brilho através de sua magnitude. Essa escala é representada por números e, quanto maior ele for, mais fraco é o brilho do objeto.

Essa escala vai de -27, como é classificado o Sol (o mais brilhante), até +35, que é o limite alcançado pelo telescópio Hubble. Nessa régua de medição, o olho humano consegue enxergar o brilho dos astros cuja magnitude chegue a, no máximo, 6,5.

Vale ressaltar que esse valor de magnitude limite é obtido considerando situações ideais, como um céu absolutamente isento de poluição luminosa, totalmente transparente, uma noite sem o brilho da Lua e um olho humano absolutamente capaz. No céu da cidade grande, esse valor muda bruscamente, assim como muda para pessoas cujos olhos não captam luz com tanta eficiência.

ESO / Y. Beletsky
Céu noturno registrado no Deserto do Atacama, no Chile

Usando essa informação, os astrônomos calculam que há, aproximadamente, 9.000 estrelas que podem ser visíveis a olho nu a partir da Terra. A última contagem de um dos catálogos mais conhecidos, o Yale Bright Star Catalog, aponta 9.110.

Esse valor estimado pelos astrônomos considera todo o céu ao redor da Terra. Mas, como uma pessoa só consegue ver metade dele, o total seria de, aproximadamente, 4.500 estrelas.

Obviamente que essa contagem é feita de maneira indireta, a partir de bancos de dados que catalogam os astros com diferentes magnitudes —que são captados por telescópios potentes, como o Hubble. Com essas informações, os astrônomos filtram as estrelas que se encaixam até essa faixa de magnitude.

Obviamente esse número será bem menor, se você decidir contar as estrelas por conta própria —de uma maneira bastante otimista, estima-se que algo em torno de 2 mil. 

Na maioria das cidades do mundo, as condições do céu comprometem bastante a possibilidade de se ver astros com magnitude de até 6,5 (geralmente, entre 2 e 4).

Além disso, se você estiver em um local cheio de prédios, montanhas ou árvores no seu horizonte, esses objetos da paisagem também vão diminuir o número de estrelas que podem ser observadas.

NASA/JPL-Caltech/2MASS
Momento da criação de novas estrelas a partir de uma nuvem de gás

E quantas estrelas existem no Universo?

Sabe aquela velha frase que diz que "há mais estrelas no céu do que grãos de areia na Terra"? Se considerarmos que esse céu corresponde a todo o Universo, ela está certa. O problema é que é praticamente impossível saber com exatidão a quantidade delas.

Mais uma vez, não se faz uma contagem direta. Os astrônomos tentam chegar a esse valor multiplicando a quantidade estimada de estrelas em uma galáxia pela quantidade de galáxias desse tipo e, depois, somando esse valor para todos os tipos de galáxias existentes.

O próprio número de estrelas da Via Láctea ainda é bastante incerto. A contagem não é direta e os cientista utilizam métodos e cálculos matemáticos para chegar a um valor --como verificar a massa da galáxia e dividir pela massa de uma estrela média, como o Sol; checar todo o brilho da galáxia e dividir pelo brilho de uma estrela média ou contar o número de estrelas de um pequeno volume e verificar quantos daqueles volumes cabem em todo o volume da galáxia. Complicado, não?

E pior, nenhum dos métodos é 100% confiável já que é possível que exista uma grande quantidade de massa (chamada massa escura) que não conseguimos observar, e a quantidade de estrelas pode variar muito em diferentes regiões da galáxia.

Diante de tantos entretantos, é normal que os valores variem tanto: em geral, dizem haver entre 100 e 400 bilhões de estrelas apenas na Via Láctea, mas há quem proponha que o número chegue a mais de 1 trilhão.

Especialista consultado: Leandro Guedes, astrônomo do Planetário do Rio de Janeiro; Nasa (Agência Nacional) Universidade de Yale (EUA).

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