Seus olhos entregam quando você está prestes a ter uma brilhante ideia

Do UOL, em São Paulo

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Sabe quando você está quebrando a cabeça para resolver um problema e de repente vem aquela sensação maravilhosa de que você encontrou a solução? Esse estalo que temos quando uma ideia surge é denunciado pelos nossos olhos, de acordo com um estudo publicado no jornal PNAS.

Os cientistas acompanharam os movimentos oculares de voluntários para conseguir identificar o exato momento em que acontece a epifania, aquele momento "Eureca"!

Sabemos que, por natureza, os instantes de descoberta são inesperados, então James Chen, estudante de economia na Universidade de Ohio (EUA), e Ian Krajbich, professor de psicologia na instituição, criaram um jogo de estratégia para estimular que 59 voluntários chegassem a descoberta.

Os jogadores competiam entre si em uma brincadeira matemática. Eles viam números de 0 a 10 na tela do computador e, com o passar das partidas, eram instigados a buscar a lógica numérica para vencer.

No fim do estudo, 42% dos estudantes descobriram a estratégia correta, que era sempre escolher o número zero. Outros 37% selecionaram outro número repetidamente, mesmo perdendo sempre. E 20% nunca desenvolveram uma estratégia.

Assim que os pesquisadores notavam que um dos jogadores começava a ganhar repetidamente, por ter desvendado o truque, eles analisavam as gravações do momento em que as vitórias começaram e conseguiam descobrir pelos olhos quando a "ficha tinha caído".

"Houve uma mudança repentina de comportamento", disse Krajbich à LiveScience. "Eles estavam escolhendo outros números e, de repente, mudam e começam a só escolher o zero. Essa é a marca de uma epifania."

Os cientistas descobriram que nas rodadas após epifania, a pessoa olhava para o zero e outros números baixos com mais frequência do que as pessoas que não tiveram epifania.

"Não vimos a epifania na escolha, notamos nos olhos. Assim que descobriu como vencer, a atenção da pessoa foi atraída diretamente para o zero, não conseguia olhar para outra opção

James Chen, estudante da Universidade de Ohio que participou do estudo.

Os pesquisadores também analisaram a dilatação das pupilas, um sinal de que a pessoa está prestando muita atenção e está aprendendo.

Durante cada rodada antes da epifania, as pupilas dos jogadores dilatavam quando os resultados apareciam. Depois que o voluntário descobriu a lógica do jogo, as pupilas não se dilatavam mais quando o resultado era anunciado.

Especialistas explicam que a dilatação da pupila mostra que no início do jogo, sem saber a estratégia, os voluntários estavam atentos tentando aprender para chegar à epifania. Por outro lado, os jogadores que não tiveram epifanias não estavam comprometidos em aprender e não apresentaram pupilas dilatadas.

Como era o jogo?

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No jogo, dois voluntários competiam entre si e precisavam escolher um número de zero a dez, as opções apareciam na tela de um computador.

Com as apostas feitas, o computador calculava a média entre os números escolhidos e multiplicava esta média por 0,9. Então, o resultado das contas era anunciado aos jogadores e aquele com o número mais próximo ao exibido na tela era o vencedor.

Os pesquisadores explicaram que como a média dos dois números é o meio do caminho entre eles, a multiplicação da média por 0,9 resultará sempre em um número menor. A pessoa que escolhe o número menor ganha.

Assim, a estratégia ideal par ganhar todas as vezes é escolher zero, o menor número disponível.

Os voluntários não sabiam da lógica, mas os pesquisadores acreditavam que com o passar das rodadas os jogadores começariam a compreender o que estava acontecendo e teriam uma epifania de que o zero é sempre a melhor opção.

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