Rato-toupeira-pelado resiste até 18 minutos sem oxigênio

Brigitte Osterath

Deutsche Welle

  • Thomas Park/ UIC

Mamíferos têm dificuldades de sobreviver quando o nível de oxigênio é baixo. Mas isso não acontece com o rato-toupeira-pelado, que troca automaticamente seu sistema metabólico.

Muitos de nós pensávamos que já sabiam tudo sobre esses animais feios e sem pelos. Mas, agora, pesquisadores americanos e alemães têm notícias ainda mais surpreendentes. Eles descobriram que o rato-toupeira-pelado pode sobreviver a condições que matariam outros mamíferos – inclusive os seres humanos – em poucos minutos.

Quando os níveis de oxigênio caem para um nível fatal, o animal subterrâneo simplesmente diminui sua frequência cardíaca e faz uma troca para outro sistema metabólico. Mesmo que não haja oxigênio presente, o rato-toupeira consegue sobreviver.

Eles perdem a consciência, mas, assim que recebem um pouco de oxigênio, começam a se mexer novamente como se nada tivesse acontecido. Não há nenhum dano no animal se a ausência de ar for menor que 18 minutos. O estudo foi publicado pela revista Science.

Thomas Park/ UIC
"Esta é apenas a última descoberta notável sobre o rato-toupeira-pelado, um mamífero de sangue frio que vive décadas a mais do que outros roedores, raramente tem câncer e não sente muitos tipos de dor", afirma o coautor do estudo Thomas Park, da Universidade de Illinois, em Chicago, que estudou a espécie por 18 anos.

O rato-toupeira-pelado vive em tocas sem ventilação e túneis subterrâneos juntamente com centenas de companheiros de colônia. Em tais condições, a falta de oxigênio ocorre com bastante frequência – e é exatamente por isso que a espécie teve que se adaptar.

Os mamíferos não são feitos para um mundo sem oxigênio. Quando o suprimento de ar cessa, o oxigênio em seus cérebros só dura mais alguns segundos. Dentro de um ou dois minutos, as moléculas que transportam energia se esgotam, e as células cerebrais começam a morrer. Dentro de cerca um minuto, ratos e outros mamíferos passam de um ponto que não tem mais volta após suas células cerebrais morrerem.

Mesmo ser for novamente exposto ao ar ambiente, o animal terá danos severos para o resto da vida, como paralisia ou uma deficiência mental – se ele, de algum modo, sobreviver. No entanto, o rato-toupeira-pelado encontrou uma maneira de contornar seu metabolismo dependente de oxigênio. Quando o nível de oxigênio é baixo, suas células cerebrais fazem uma mudança para queimar frutose em vez de glicose – já que, para isso, não é necessário oxigênio.

Thomas Park/ UIC
Os animais têm ainda uma bomba especial de frutose em suas células cerebrais que foi encontrada somente no intestino de outros mamíferos.

"O rato-toupeira pelado simplesmente reorganizou alguns componentes do metabolismo para torná-lo supertolerante às baixas condições de oxigênio", explica Park.

Os pesquisadores dizem que só se observou este tipo de queima metabólica de frutose anteriormente em plantas.

Existem outros animais não mamíferos que podem sobreviver a longos períodos sem oxigênio. As tartarugas de água doce e peixes-dourados da América do Norte, por exemplo, passam seus invernos sem oxigênio em lagos e lagoas cobertos de gelo. Mas, mesmo que os 18 minutos de sobrevivência do rato-toupeira sem oxigênio sejam poucos em comparação às tartarugas e algumas espécies de peixes, os cientistas ainda estão impressionados com a descoberta.

Pesquisadores como Jay Stolz, da Universidade de Nebrasca, nos EUA, e Grant McClelland, da Universidade McMaster, em Hamilton, no Canadá, que não estiveram envolvidos no estudo, escreveram na revista Science que o fato "é supreendente para os padrões dos mamíferos". Os cientistas esperam que o rato-toupeira-pelado lhes mostre uma maneira de tratar pacientes que sofrem de privação de oxigênio originados após ataques cardíacos ou derrames.

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