Clique Ciência: É verdade que um chiclete engolido fica 7 anos no corpo?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

Eles grudam na parede do intestino, entopem a entrada de comida no estômago, podem ficar até sete anos dentro do corpo e há até quem diga que podem chegar na membrana que envolve o coração. Quem nunca ouviu pelo menos uma dessas histórias sobre quão perigoso seria engolir um chiclete?

Os estragos pareciam assustadores, mas a verdade é que podemos respirar aliviados: não há goma de mascar ou qualquer outro alimento que permaneça tanto tempo dentro do corpo humano.

Para se ter uma ideia, um bom prato de arroz, feijão e carne leva de 2 a 3 horas para ser digerido e cair no intestino grosso.

A outra boa notícia é que a ingestão não causa qualquer dano para o corpo, pelo menos na grande maioria dos casos. A maior parte do chiclete que entra no organismo sai da mesma maneira, passando intacto pelo processo de digestão e, consequentemente, pelas enzimas digestivas.

Isso acontece porque, basicamente, o chiclete é formado por dois grandes grupos de compostos. Um deles é constituído por açúcar, corantes, aromatizantes e conservantes. O outro se trata de uma goma-base, produzida a partir, por exemplo, de derivados de petróleo, como resinas e parafinas. Antigamente, a base era feita de látex retirado de algumas árvores.

Enquanto o primeiro grupo é responsável por dar sabor ao doce, a goma-base nada mais é do que aquela massa que ficamos mastigando por horas.

Getty Images/iStockphoto

E por que ele não se desfaz como outros alimentos?

Já na boca, nossa saliva fará uma tentativa de digerir a goma durante a mastigação. As enzimas até podem conseguir dissolver a casca e os corantes do primeiro grupo de compostos que falamos acima, mas digerir a goma-base é impossível para qualquer das enzimas, ácidos ou movimentos gástricos do trato digestivo.

Logo, a goma passa intacta pelo estômago até ser eliminada com o bolo fecal.

Mas faz mal?

Engolir acidentalmente um chiclete não faz mal. Por se tratar de algo pequeno, facilmente será eliminado pelo organismo. Além disso, a goma tem a vantagem de ser flexível e macia.

No entanto, os médicos já catalogaram alguns casos de distúrbios de comportamento onde a criança engole frequentemente e excessivamente a goma. Em casos assim, o hábito pode levar a uma obstrução intestinal por causa da massa que se forma e que não consegue ser eliminada junto com as fezes.

Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema foi publicado em 1998 pela revista americana Pediatrics. A investigação mostra um menino de pouco mais de quatro anos de idade que sofria de constipação. A criança chegava a mastigar e engolir até sete chicletes por dia. O resultado foi justamente a formação de uma massa composta basicamente de goma e que obstruia a passagem das fezes. Outras duas situações semelhantes —uma com uma criança de quatro anos e outra de apenas um ano e meio— também foram relatadas no estudo.

Também não faz bem!

O ato de mastigar um chiclete traz mais prejuízos que benefícios. A mastigação induz o estômago a preparar-se para a digestão do alimento que está na boca. Para isso, usa as enzimas salivares e mais suco gástrico. A fabricação excessiva desses componentes pode causar, por exemplo, gastrite.

Reprodução/Lydiaramsey

Veja outras 3 curiosidades sobre a goma:

• Por que o chiclete não gruda nos dentes?

Para grudar, o chiclete precisa de uma superfície porosa e áspera (como embaixo de uma mesa). Nossos dentes têm uma superfície bastante lisa, compacta e úmida, já que a saliva o deixa escorregadio.

• Mastigar chiclete nos deixa relaxados?
A ação muscular de mastigar ajuda a concentração, alivia a tensão e relaxa os músculos. Foi por estas e outras razões que o exército dos EUA forneceu goma de mascar aos seus soldados desde a Primeira Guerra Mundial, contribuindo para que ela se tornasse cada vez mais popular.

• Chiclete pode causar gases?
Quando mastigamos chiclete, acabamos engolindo uma quantidade maior de ar. Junte a isso, a ingestão dos adoçantes artificiais que fazem parte de algumas gomas.

Especialista consultada: Cylmara Gargalak Aziz, pediatra especialista em gastropediatria, membro do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês. Especialista em gastropediatria/ American Chemistry Society / Sociedade Americana de Pediatria

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