Como as estrelas nascem? E por que elas morrem?

André Carvalho

Do UOL, em São Paulo

  • ESO/Divulgação

    Imagem de uma supernova, evento que ocorre no final do ciclo de vida de algumas estrelas e é caracterizado por uma explosão muito brilhante

    Imagem de uma supernova, evento que ocorre no final do ciclo de vida de algumas estrelas e é caracterizado por uma explosão muito brilhante

Parece que elas sempre estiveram ali, mas não. Não é porque estão no céu que as estrelas são imortais. Até mesmo as estrelas nascem e morrem.

Se a maneira em que se dá a formação destes astros luminosos é uma só, o ciclo de vida delas pode variar em bilhões de anos. E a morte, de três maneiras diferentes, são desfechos dignos de finais de filme de ficção científica --com explosões, mutações e buracos negros.

O nascimento das estrelas ocorre quando uma gigantesca nuvem de gás e poeira começa a se concentrar no espaço, em uma região chamada de "berçário estelar". Conforme ela vai se condensando e esquentando, as partes externas desta nuvem começam a cair. Cada uma destas partes densas desprendidas da nuvem ganha, então, mais densidade e calor e, ao começar a girar em torno de si mesma, vira uma espécie de disco.

ESO
A nuvem de gás e poeira cósmica Gum 15, na constelação da Vela, é o local de nascimento e moradia de estrelas jovens massivas
 Com a elevação da temperatura e da densidade deste "disco", os núcleos de hidrogênio se fundem, formando hélio e liberando energia. Tem início aí, então, a fusão nuclear, que completa o nascimento da estrela.

"O Sol e o sistema planetário solar tiveram origem desta maneira. Se originaram desse disco de gás original", afirma o astrofísico João Steiner, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

A partir daí o astro começa a "queimar o combustível" que o "alimenta" por todo o seu ciclo de vida. É o hidrogênio --e depois o hélio-- que sustenta este enorme "reator nuclear", verdadeira fábrica de luz natural.

O ciclo de vida das estrelas varia de acordo com seu tamanho. Uma estrela com massa de cem vezes à do Sol pode gastar seu combustível em "apenas" um milhão de anos. Já estrelas dez vezes menores que o Sol chegam a "viver" trilhões de anos. "Quando o combustível exaure, o núcleo se contrai e a estrela acaba explodindo", explica Steiner. 

Uma vida, três mortes diferentes

Quando acaba o combustível --e a fusão chega a queimar elementos mais pesados como o ferro-- e o reator nuclear é desligado, a estrela não pode mais suportar o peso das camadas que estão próximas ao núcleo dela. Ela então explode, em um fenômeno chamado de supernova. Porém, dependendo da massa estelar, essa "morte" acaba ocorrendo de maneiras diferentes.

"Se a estrela tiver entre oito e vinte vezes a massa do Sol, o núcleo se transforma em uma nuvem de nêutrons. Se tiver uma massa inicial 20 vezes maior que a massa do Sol, esse núcleo se transforma em um buraco negro", diz o astrofísico. Quando a estrela tem uma massa pequena, menor do que oito massas solares, no entanto, a explosão não pode ser chamada de supernova. "Se a estrela tem pouca massa, ela também joga grande parte de sua camada externa, mas sob forma de uma brisa mais suave".

X-ray: Nasa/CXC/IAA-CSIC/N.Ruiz et al, Optical: Nasa/STScI
Estrelas massivas à beira da morte também podem ser fotogênicas. Classificada como uma nebulosa planetária, a NGC 2392 é uma estrela como o nosso Sol em uma fase avançada, já que está se transformando em uma gigante vermelha
Essas diferenças ocorridas no momento final do ciclo de vida dos astros podem ser explicadas pelo "tamanho do tombo" das partes externas da estrela sobre o núcleo delas.

Nas estrelas leves estas camadas são expulsas de forma suave, virando uma nebulosa planetária com uma estrela central em seu interior. Esta, depois transforma-se em uma anã branca, uma estrela densa e quente, uma espécie de "cadáver", feita de carbono e oxigênio, que esfria por bilhões de anos, sem se apagar.

Nas estrelas maiores, quando há a supernova, a queda das partes externas da estrela são mais violentas. Violentíssimas no caso das estrelas com massas superior a 20 vezes a massa solar, quando ela se contrai em um buraco negro.

"Do que resta das supernovas, existem duas possibilidades: ou sobra uma estrela de nêutrons, que é uma coisa muito mais densa que uma anã branca, onde o equilíbrio é mantido por pressão de um material muito mais compacto, uma sopa de nêutrons, ou pode sobrar um buraco negro, que é aquela configuração onde não tinha nenhum tipo de pressão capaz de sustentar a massa em torno do centro dessa região. É uma configuração tal que nem a luz consegue escapar dele"

Francisco José Jablonski, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

E Sol? Também vai morrer?

Vai, mas ainda vai demorar alguns bilhões de anos, quando todo o hidrogênio --e o hélio-- for queimado por sua fusão nuclear. Neste processo, durante a queima do hélio, ele irá se expandir. Neste momento, "o Sol vai atingir uma dimensão, um raio, que vai engolir a Terra", diz Jablonski.

"Ele virará uma [estrela] gigante vermelha. Algumas gigantes vermelhas têm dimensões que chegariam até a órbita de Marte."

Seu fim não será glorioso. Depois de virar uma gigante vermelha, o que vai sobrar, após ser expelido o que se expandiu em torno da região quente central, será "um caroço quente, uma anã branca, que depois vai pouco a pouco se esfriar".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos