Clique Ciência: como são escolhidos os nomes de planetas e estrelas?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

  • JPL-Caltech/Ames/Nasa

Desde 1919, quem aprova os nomes oficiais de todos os objetos celestes —sejam eles planetas, constelações, galáxias, estrelas, cometas ou asteroides —é a União Astronômica Internacional (IAU, sigla inglês), organização composta por mais de 11 mil astrônomos de mais de 90 países e criada em Bruxelas (Bélgica).

E acredite: é mais fácil pai e mãe chegarem a um acordo sobre como batizar o filho do que escolher um nome atraente que, de quebra, cumpra todas as regras ditadas pela organização.

As regras vão desde a proibição do uso de nomes de cunho político, religioso e militar até a limitação da quantidade de caracteres, e servem para ajudar a pôr ordem na imensa quantidade de astros que são descobertos a cada ano. Até agora, mais de 18 mil asteroides já foram nomeados, segundo a IAU.

Quando um objeto celeste é descoberto, ele costuma ser catalogado seguindo algumas normas que levam em conta, por exemplo, ano da descoberta, posição, brilho (dependendo do tipo). Essas normas dão origem a nomes bastante esquisitos, como 2003 UB313, descoberto em 2003 que provocou a discussão que acabou reclassificando o próprio objeto e também Plutão como planetas anões.

A partir daí, o astrônomo ou a equipe que descobriu o objeto celeste pode ou não escolher um nome "mais popular" para o astro, desde que respeite as regras de nomenclatura, submeter à aprovação da IAU. O 2003 UB313, por exemplo, foi chamado de Éris, a deusa grega da discórdia. Já imagina o motivo, não é mesmo?

Em muitos casos, a escolha do nome pode ser, inclusive, feita através do voto popular. Em 2015, a IAU abriu uma votação para nomear 14 estrelas e 31 exoplanetas (planetas que não pertencem ao Sistema Solar). "Música", "Cervantes", "Quixote" e "Poltergeist" foram alguns dos nomes escolhidos.

AFP
Descobertas relacionadas a Plutão devem levar o nome de coisas do "submundo"

Veja, a seguir, 10 curiosidades sobre as regras da UIA:

1. Planetas têm nomes de deuses romanos e gregos

Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno são os cinco planetas que podem ser vistos a olho nu e conhecidos desde a antiguidade. Como tinham um movimento diferente das demais estrelas do céu, seus nomes foram associados a divindades mitológicas pelos povos da época. 

Por se mover mais rápido, Mercúrio recebeu o nome do veloz mensageiro dos deuses. Vênus é a deusa da beleza. Marte é o deus da Guerra. O maior dos planetas foi nomeado Zeus pelos gregos e Júpiter pelos romanos. Já Saturno, era pai de Zeus. Urano e Netuno foram descobertos depois, mas seguiram a nomenclatura dos antigos planetas. O primeiro representa o deus do céu e da noite e, antes de ser assim batizado, foi cogitado chamar "Sidus Georgiano", em homenagem ao rei George 3°. Já Netuno foi descoberto em 1846 e recebeu o nome do deus grego dos mares.

O nome "Terra" vem do latim antigo e significa solo, chão, território. É o único não relacionado a deuses da mitologia.

Reprodução
William Shakespeare

2. Satélites com nomes "esquisitões"

Os satélites naturais descobertos ao redor de Urano devem levar nomes que homenageiam as peças do escritor britânico William Shakespeare e do poeta também britânico Alexander Pope. É o caso de Julieta, heroína de Shakespeare "Romeu e Julieta".

3. Cabo Frio é nome de uma cratera

Com raras exceções, todas as descobertas na superfície de Vênus devem ser batizadas com nomes de mulheres, sejam elas deusas, pesquisadoras ou mulheres comuns.

Já as pequenas crateras na superfície de Marte (menos de 60 km) devem receber nomes de vilas ou cidades existentes ao redor do mundo cuja população não ultrapasse 100 mil habitantes. A cidade de Cabo Frio, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, batizou uma das crateras.

Luas, montanhas, crateras, cânions e colinas em Plutão devem receber nomes relacionados ao tema "submundo". 

4. Nome dá ideia do brilho das estrelas

Nem todas as estrelas têm um nome popular. Normalmente, elas são classificadas de acordo com o catálogo ao qual pertencem. Desde a pré-história, civilizações em todo o mundo deram nomes próprios para as estrelas mais brilhantes e proeminentes no céu noturno. Certos nomes permaneceram à medida que passavam por culturas gregas, latinas e árabes, e alguns ainda estão em uso hoje.

Contudo, com o avanço da astronomia, surgiu a necessidade de um sistema de catalogação universal, pelo qual as estrelas mais brilhantes (e, portanto, as mais estudadas) eram conhecidas pelos mesmos rótulos, independentemente do país ou da cultura de onde vieram os astrônomos.

Para resolver este problema, os astrônomos tentaram produzir catálogos de estrelas usando um conjunto de regras. O primeiro exemplo, ainda popular nos dias de hoje, foi criado em 1603 pelo astrônomo alemão Johann Bayer.

Bayer rotulou as estrelas em cada constelação com letras gregas minúsculas, na ordem aproximada de seu brilho, de modo que a estrela mais brilhante em uma constelação era geralmente (mas não sempre) chamada de Alpha, a segunda mais brilhante era Beta, e assim por diante. Por exemplo, a Alpha Centauri é a estrela mais brilhante da constelação do Centauro.

No entanto, existem outros catálogos que também são utilizados na nomenclatura.

5. Cometas

Até o século 19, os cometas só recebiam nomes depois de sua segunda aparição. Os que apareceriam apenas uma vez eram designados por uma combinação de ano de descoberta, números e letras. Em alguns casos, o nome do descobridor aparecia entre parênteses. Quando um cometa era observado mais de uma vez, era dado o nome de seus descobridores e, em casos raros, podia até ser genérico.

O conhecido cometa Halley, por exemplo, traz o nome do pesquisador que descobriu sua periodicidade, Edmond Halley, em 1696.

Especialista consultado: Leandro LS Guedes, astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro/ Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) / IAU (International Astronomical Union)
 

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