Clique Ciência: Por que ficamos roucos quando estamos gripados?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

  • Getty Images/iStockphoto

Ficar rouco ou até mesmo perder a voz é mais um dos desconfortos provocados por gripes e resfriados. Essas alterações na qualidade da voz, que também acontecem quando falamos muito ou gritamos, são chamadas pelos médicos de disfonias e indicam, obviamente, que algo não vai bem nas engrenagens da fala.

Mas você sabe porque ficamos assim?

Como a voz funciona

A voz humana é produzida pela vibração das cordas (ou pregas) vocais situadas na laringe, que fica no pescoço. Em silêncio, as cordas ficam abertas. Quando o cérebro envia sinais para emitir um som, elas se movem. O ar dos pulmões sobe pela traqueia, passa pela laringe e vibra a mucosa que recobre as cordas, gerando as ondas sonoras.

O som aumenta de volume ao caminhar por cavidades de ressonância do corpo, como a boca e o nariz. Por serem elásticas, elas distendem ou relaxam de acordo com a intensidade do esforço, criando sons agudos e mais graves.

A produção de sons acontece tão rápido que não conseguimos notar esse movimento a olho nu. Para se ter uma ideia, nas  mulheres, as cordas vibram, em média, 200 vezes por segundo e nos homens o ciclo vibratório é de 100 vezes.

Quando estamos gripados, o ataque de vírus e bactérias pode resultar em alguma inflamação nas vias respiratórias. Consequentemente, as cordas incham pelo excesso de muco e mudam a forma como vibram, deixando o som mais grave.

Mudanças bruscas de temperaturas também produzem um choque térmico que prejudica esses músculos. É por isso que o ambiente com ar-condicionado deve ser evitado, pois o resfriamento é feito com a redução da umidade do ar, o que resseca a mucosa do trato vocal.

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O ar projetado em alta velocidade durante o grito pode provocar lesão nas cordas vocais

Cuidado com o grito

Conversar demais, falar muito alto, gritar e até gargalhar também são atitudes agressivas para a voz. Quando gritamos, o ar é projetado em alta velocidade, o que provoca lesão pelo encontro brusco das cordas vocais.

A rouquidão também pode estar relacionada com o estresse nas cordas vocais. Quando falamos muito e não existe um período de recuperação, os músculos podem ter lesões. Esse tipo de problema é muito comum em profissionais que usam muito a voz como cantores, professores, atores, radialistas e operadores de telemarketing.

Algumas emoções como a raiva e a ansiedade também podem repercutir na emissão de sons. Quando estamos nervosos é comum a respiração acelerar e a voz ficar baixinha.

A tensão do corpo pode secar as glândulas salivares e sem umidade, as cordas não conseguem vibrar direito.

O envelhecimento do corpo também provoca alterações na voz. Com a idade, a região da laringe se modifica e fica menos lubrificada. A voz feminina fica mais grave e a masculina mais aguda. Isso se deve à perda muscular e mudança nos hormônios. 

Quando se preocupar

A rouquidão nem sempre é reflexo da tagarelice ou de uma simples gripe. Se ela permanecer por mais de 15 dias, pode indicar uma doença séria.

As lesões e infecções nas cordas vocais evoluem para calos, cistos, hemorragias e até tumores malignos, como o câncer na laringe. Também é comum a rouquidão pelo chamado refluxo gastroesofágico, o retorno do conteúdo do estômago para a boca.

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Não tem jeito, o melhor é não abusar das cordas vocais

O que funciona contra a rouquidão?

A melhor dica é não abusar. Ficar em silêncio e tomar bastante água ajudam na melhoria da elasticidade das cordas.

Em poucos dias, a voz tende a voltar ao normal. Evite buscar o alívio nas pastilhas ou em bebidas como o conhaque. Esses produtos amortecem a garganta mascarando a dor e fazendo com que você force ainda mais a voz.

Também é fundamental manter os chamados hábitos de higiene vocal. Falar num volume confortável, ter uma boa noite de sono e não "coçar" a garganta com pigarros ajuda bastante. Já o consumo de álcool, café e cigarros resseca a garganta e podem acarretar problemas, dificultando a fala.

Especialista consultado: Dra. Sueli Yoko, fonoaudióloga do Hospital Sepaco (São Paulo/SP). 

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