Cérebro e mente

Como funcionam a mente e a moral de um terrorista? Estudo começa a explicar

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/istockphoto

É difícil de entender o que leva uma pessoa a praticar um ato terrorista como o que culminou com a morte de jovens e crianças após o show de Ariana Grande em Manchester, na Inglaterra, no início desta semana. Um estudo publicado nesta sexta (26) na revista Nature Human Behaviour dá alguns lampejos que nos ajudam a entender essa mentalidade.

A primeira conclusão dos pesquisadores é de que os julgamentos morais dos terroristas dependem anormalmente do resultado de suas ações. Outra percepção é que o pensamento de que "os fins justificam os meios" está muito mais presente nesse grupo

Darren Staples/Reuters
Homenagem às vítimas do atentado de Manchester

Os atos de terrorista são considerados inadmissíveis pela maioria da sociedade, mas eles se guiam pela lógica dos fins para justificar seus meios.

No estudo, liderado pela Universidade Favaloro, de Buenos Aires (Argentina), foram conduzidos uma bateria de testes cognitivos e psicológicos em 66 paramilitares colombianos de direita que estavam presos por atos terroristas – todos condenados por assassinato, com média de 33 vítimas para cada -, 66 não criminosos que se equiparam sociodemograficamente aos terroristas e 13 assassinos encarcerados.

Diferença no julgamento

Os testes incluíram avaliações de cognição moral, QI, comportamento agressivo e reconhecimento de emoção. Os terroristas exibiram maiores níveis de agressão e menores de reconhecimento de emoção do que não criminosos, mas uma diferença na cognição moral é o que mais fortemente distinguiu os terroristas dos outros grupos.

Os pesquisadores notaram que terroristas, ao julgarem se as ações de outros são admissíveis moralmente, primeiramente focam nos resultados das ações, não somando as intenções e o resultado, como o grupo de controle. Isso leva a crer que o código moral de um terrorista prioriza os fins sobre os meios.

Julgamentos morais típicos de adultos dependem da habilidade de uma pessoa em integrar informações sobre as intenções e consequências de atos. Em muitos casos, o julgamento moral é determinado primeiramente pelai intenção. Contudo, quando a intenção e o resultado estão em conflito, julgamentos morais são normalmente feitos considerando os dois fatores.

A pesquisa conclui que este padrão de julgamento moral desigual é um componente importante do perfil dos terroristas, mas mais estudos são necessários para compreender suas origens e mudanças ao longo do tempo.

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