Ansiedade faz as pessoas perceberem mais raiva que felicidade nos outros

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

As pessoas comunicam suas emoções através das expressões faciais. Mas a interpretação dessas expressões nem sempre é fácil. A ansiedade pode ser uma razão para leituras equivocadas das emoções alheias, de acordo com uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (31) no jornal Royal Society Open Science.

Pesquisas científicas já indicavam que pessoas com maior tendência a ficarem ansiosas possuem maior sensibilidade a expressões de medo. O recente estudo mostra que as situações que desencadeiam ansiedade também influenciam a percepção das expressões faciais. 

"Nós estávamos tentando responder a pergunta: como nosso nível de ansiedade atual influencia como vemos o mundo e, em particular, as emoções nos rostos?", afirmou Marcus Munafo, professor de psicologia da Universidade de Bristol e um dos autores do estudo, em entrevista ao jornal britânico "The Guardian".

Os resultados revelaram que as pessoas em situações de ansiedade possuem desempenho 8% pior na identificação da emoção associada às expressões faciais. E quando mais ansiosos, os participantes viam mais raiva do que felicidade quando confrontados a expressões faciais ambíguas.

Induzindo a ansiedade

A pesquisa foi realizada com 21 participantes saudáveis, que não possuíam transtorno de ansiedade. Ao longo do estudo, eles tiveram que interpretar imagens de diferentes expressões faciais enquanto usavam uma máscara que fornecia ar normal ou com maior quantidade de dióxido de carbono - o que induz as reações que caracterizam a ansiedade.

Nas 15 imagens utilizadas, o rosto de homem aparecia expressando diferentes graus de raiva, tristeza, surpresa, desgosto, medo e felicidade. Os participantes foram convidados a atribuir a cada expressão uma dessas seis emoções.

As imagens foram vistas duas vezes: uma com o participante sob o efeito da indução de tensão, outra em estado natural de relaxamento.

O estudo foi ainda repetido com um número maior de imagens e de participantes, chegando ao todo a 45 imagens e 40 voluntários. Possível influência de características como idade e sexo foi controlada.

Por fim, o estudo foi ampliado para um teste on-line feito com 1.994 indivíduos, que atribuíram uma dentre seis emoções a uma variedade de caras masculinas e femininas de diferentes etnias. Os participantes também preenchiam um questionário para descrever seus níveis de ansiedade em geral e no momento do teste.

Os resultados dos testes com esse número grande de indivíduos mostraram que quanto mais elevado o nível de ansiedade do momento, menos preciso era o reconhecimento das emoções dos rostos que eles viam.

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