Monogamia: sistema de recompensa explica busca por amor único em mamíferos

Do UOL, em São Paulo

  • Nature

    Os arganazes do campo são um dos poucos mamíferos socialmente monogâmicos na natureza

    Os arganazes do campo são um dos poucos mamíferos socialmente monogâmicos na natureza

Interações sociais podem ativar o sistema de recompensa cerebral, impulsionando o vínculo monogâmico. É o que sugere estudo desenvolvido por pesquisadores da Emory University, de Atlanta (Estados Unidos), e que utilizou como cobaias arganazes do campo --pequenos roedores que vivem na América do Norte e que são um dos poucos mamíferos socialmente monogâmicos na natureza. 

As conclusões da pesquisa foram publicadas na Nature nesta quarta-feira (31).

Para os autores do estudo, as observações do comportamento destes roedores podem nos ajudar a compreender como alguns padrões específicos de atividade cerebral contribuem para a formação de vínculos entre dois indivíduos.

Nestes animais, mudanças na percepção e na avaliação do outro estão por trás do envolvimento em par durante a vida adulta. E esta mudança-chave se dá quando os potenciais parceiros ativam os sistemas de recompensa cerebral entre eles.

Os pesquisadores, valendo-se do modelo de ligação dos arganazes do campo, estudaram o circuito corticostriatal do cérebro, que controla o comportamento dos animais para que eles obtenham recompensas.

Ao registrar a atividade deste circuito por seis horas em roedoras fêmeas, que dividiram espaço com machos, os cientistas descobriram que a força de conectividade corticostriatal prediz a rapidez da ligação destes animais, expressa por meio do acasalamento.

Em outro contexto social, sem acasalamento, os cientistas, usando a técnica optogenética (mediada por dispositivos luminosos), ativaram este circuito corticostriatal nas fêmeas. Eles foram, então, capazes de influenciar a preferência posterior destas fêmeas por parceiros em relação a estranhos.

De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos com o estudo sugerem que a atividade deste circuito não apenas correlaciona-se com o comportamento de ligação, mas também é capaz de acelerá-lo.

Eles avaliam, no entanto, ser necessária a realização de mais testes para determinar se este circuito não é apenas suficiente, mas sim necessário para aumentar o comportamento de ligação nestes animais.

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