Sabe lavar a roupa direito? Dicas de física e química melhoram sua lavagem

André Carvalho

Do UOL, em São Paulo

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Seja nas pedras do rio, nos tanques das lavanderias ou na mais moderna máquina de lavar, a lavagem das roupas é uma questão de ciência.

Da batida da roupa ao amaciante que usamos, todos são processos físicos ou químicos responsáveis pela roupa limpinha e cheirosa no fim do processo. E a ciência pode ajudá-lo (e muito) nessa tarefa cotidiana.

É a física, estúpido

A mecânica é responsável por parte importante da extração de sujeira. Não adianta colocar sabão e abandonar a roupa no balde. É preciso esfregar ou bater a roupa para que as partículas se soltem das fibras do tecido.

O "bate e volta" feito pela máquina tem uma razão bem específica para ocorrer desta maneira. "Essa batida abre o poro das roupas e possibilita a entrada da água com o sabão", explica Silmar Travain, professor do departamento de física e química da Unesp Guaratinguetá (Universidade Estadual Paulista).

Um truque para melhorar isso? Colocar algumas bolinhas, como as de tênis (já existem algumas feitas exatamente para isso), dentro da máquina durante a lavagem.

"As bolinhas ajudam a separar os corpos para que eles não fiquem embutidos no meio das mais pesadas", explica Travain. Assim, as peças são lavadas separadamente e com mais eficiência --isso ocorre por conta do maior contato entre a água e as roupas.

Dominique Faget/AFP

Precisa mesmo usar sabão?

Não tem jeito, lavar só com água não adianta. Isso porque as moléculas da água são polares e não fazem ligação com a sujeira (em geral, partículas apolares e hidrofóbicas).

"Para a água arrastar a sujeira, a interação entre as moléculas de água, bem como a interação entre as partículas que compões a sujeira, precisam ser rompidas. Aí o ocorre essa interação entre a água e a sujeira", diz Bárbara Pinheiro, do Instituto de Química da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Beto Macário/UOL

É o sabão que faz a ponte entre elas. A parte apolar do sabão, hidrofóbica, interage com a sujeira, ao passo que a parte polar, hidrofílica, faz o mesmo com a água. Esse novo corpo pode, então, ser removido com a água no enxágue.

Sabão em pedra --que pode ser feito artesanalmente, com óleo de cozinha usado-- ou detergente podem substituir o sabão em pó (ou líquido) na lavagem de roupa, explica Pinheiro.

"Qualquer substância que tiver essa característica de sal orgânico acaba servindo como sabão", diz a professora da UFBA. Ela lembra, no entanto, que os compostos que perfumam e dão maciez à roupa, presentes nos sabões em pó e líquido, dão um "algo a mais" na lavagem.

Já ouviu falar das "superbolinhas", que prometem lavar a roupa sem sabão? O segredo delas é químico. Elas são recheadas por pedaços de cerâmica com íons que alteram a estrutura molecular da água e reduzem sua tensão superficial.

"Quanto menor for essa partícula [de água], maior será o poder de entranhar na roupa, facilitando ainda mais a lavagem", diz Travain. "Você consegue trabalhar mais eficientemente a água em contato com aquele tecido".

Ainda assim, não é toda a sujeira que sai apenas com essa bolinha.

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Quanto mais sabão melhor?

Não é assim. É preciso colocar a quantidade suficiente para fazer a reação química com a sujeira das roupas, mas muito sabão na lavagem vai exigir mais água para o enxague. Se ficar sabão nas fibras, o resultado será aquela roupa dura depois de seca.

Isso é um problema ainda maior para os alérgicos a sabão em pó.

Como saber quanto usar? As máquinas de lavar roupa mais modernas indicam qual a quantidade exata de sabão que deve ser colocada em cada tipo de lavagem.

"A quantidade de sabão se relaciona com o volume de água que é despejado pela máquina no processo de lavagem", diz Pinheiro.

Para quem tem alergia, há máquinas modernas com enxágues extras para retirar totalmente a química das roupas, a função é chamada "antialérgica", explica Carlos Eduardo Sousa, da Whirpool, fabricante da Consul e da Brastemp.

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Vinagre e bicarbonato de sódio realmente tiram manchas?

Sim, mas algumas manchas, não todas. O vinagre tem em sua composição o ácido acético, que pode remover manchas que são de meio básico. "O ácido vai reagir as bases presentes em manchas como, por exemplo, as de leite ou de leite de magnésia", explica Pinheiro. Para fazer a remoção, é preciso espirrar vinagre sobre mancha, deixar que ele aja no tecido por alguns minutos e depois esfregar com uma escova macia.

Já o bicarbonato de sódio, que é uma substância alcalina, além de atuar como desodorizante, serve também para tirar o encardido das roupas. Sua ação se dá por conta de seu poder de quebra da tensão superficial da água, ou seja, de ruptura da "membrana" que envolve as moléculas dela.

"Esta quebra vai possibilitar a entrada da água no tecido", afirma Pinheiro. Esta limpeza interna, então, diz ela, se dá "muito mais pela ação mecânica da água".

Para clarear manchas em tecidos amarelados pelo tempo, deve-se fervê-los em uma panela em uma solução com uma pitada de sal de cozinha --que também é um composto iônico e tem atuação complementar ao bicarbonato neste processo-- e bicarbonato de sódio (uma colher de sopa).

 

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E o amaciante?

Se você pôs amaciante na lavagem, esta substância expande as fibras do tecido, dando um aspecto macio a ele.

"Quando você tem o tecido, você tem as partículas constituintes do tecido interagindo entre elas mesmo. Quando você insere o amaciante, você insere um aditivo, que é um outro constituinte que vai interagir com as partículas do tecido, gerando um processo de expansão, dando um aspecto de maciez", explica Pinheiro.

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