UFRJ monta painel público para denunciar perda de investimento em ciência

Nielmar de Oliveira

Da Agência Brasil

  • Tânia Rego/Agência Brasil

    Contador digital foi instalado na Praia Vermelha, no Rio, com o objetivo de denunciar as perdas do financiamento federal voltado para as áreas de ciência e tecnologia

    Contador digital foi instalado na Praia Vermelha, no Rio, com o objetivo de denunciar as perdas do financiamento federal voltado para as áreas de ciência e tecnologia

Cientistas e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) montaram, no campus da instituição, na Praia Vermelha, zona sul do Rio, um contador digital inédito no país denominado tesourômetro com o objetivo de revelar ao público, minuto a minuto, as perdas do financiamento federal voltado para as áreas de ciência e tecnologia, nos anos de 2016 e 2017, em relação a 2015.

A inauguração do painel marca o lançamento da campanha de mobilização pública Conhecimento Sem Cortes, uma iniciativa que reúne, além de cientistas e professores universitários da UFRJ, também estudantes, pesquisadores e técnicos de universidades e institutos de pesquisa para alertar sobre a crise por que passa o setor no país.

Segundo a presidente da Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj), Tatiane Roque, o setor de ciência e tecnologia do país vem perdendo cerca de R$ 500 mil por hora em investimentos federais desde 2015.

"São perdas graves. Até porque há estudantes nas nossas universidades que não têm como se manter sem a bolsa fornecida pelo governo federal. Eles precisam não só dela, mas também dos alojamento, do bandejão, e de toda uma infraestrutura que está sendo afetada pelos cortes que estão ocorrendo também na infraestrutura básica de pesquisas. A pesquisa científica precisa de investimentos em material, em reagentes, precisa de laboratórios e também de pessoal para continuar a exercer seu trabalho".

Está sendo perdida toda uma geração de pesquisadores, na qual o governo investiu nos últimos anos, seja na universidade, nos cursos de mestrado e doutorado, bastante dinheiro, e que hoje estão com dificuldade de continuar a suas pesquisas."

Tatiane Roque

Segundo ainda a pesquisadora, "a pesquisa científica é cumulativa e o que está se perdendo agora não se pode recuperar no futuro".

Para Tatiana, "se estamos passando por uma crise no modelo econômico e de desenvolvimento, o que nós precisamos é justamente que se faça o contrário, que se invista em pesquisa, em formação de quadros, em pensadores que nos levem a sair dela [da crise]".

Os responsáveis pela manifestação avaliam que até 2015 o orçamento para o setor era da ordem de R$ 7 bilhões, e que tenha caído este ano para algo em torno de R$ 5 bilhões.

 

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