Como os cabelos e unhas sobrevivem à morte?

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

  • Juan Medina/Reuters

Nem a morte foi capaz de destruir a tradicional marca do pintor Salvador Dalí. Seu bigode na clássica posição --marcando dez horas e dez minutos-- se manteve intacto 28 anos após seu sepultamento, como comprovou a sua recente exumação. Tudo bem que os restos mortais do surrealista tinham sido embalsamados, mas a notícia levanta a questão: por que unhas e cabelos são mais resistentes à morte? A ciência explica.

"Tanto a unha como o cabelo não são estruturas vivas do corpo, justamente por isso não sentimos dor quando os cortamos", relata Ricardo Romiti, do departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Segundo ele, essas estruturas são feitas de queratina e pouquíssima água em sua composição. "Isso as torna muito mais resistentes à degradação natural da morte."

A exemplo das múmias, como aponta o especialista, essa decomposição pode levar décadas ou até séculos. Não quer dizer, no entanto, que os cabelos e as unhas sejam inabaláveis. O tempo da sobrevivência dessas estruturas à morte vai depender muito da forma como o corpo é descartado.

"O contato direto com o solo ou com a água acelera essa degradação. Isso porque vão propiciar a criação de fungos e bactérias que se alimentam da queratina", afirma ele. "Quanto mais isolado o corpo, maior o tempo de sobrevivência das unhas e dos cabelos."

De acordo com Romiti, quanto mais água o órgão tem, mais rápido sofre a degradação. "Por isso o sistema circulatório é o primeiro a sofrer com a morte. O coração, o pulmão e o intestino também estão na lista dos primeiros a se decomporem."

Vale lembrar que o tempo de decomposição total do corpo varia de acordo com o ambiente e a temperatura a que está exposto, mas, nas condições normais (em caixões), pode levar de um a dois anos.

Mito ou verdade?

É comum ouvirmos que os cabelos e as unhas continuam a crescer mesmo depois da morte. Será mesmo? Não! Como explica Romiti, as células que produzem o folículo piloso e a matriz da unha param de funcionar com a morte, portanto essa hipótese é totalmente falsa.

Tudo não passa de uma "falsa impressão", como descreve o especialista. Segundo ele, com a desidratação da pele causada pela morte a parte interna tanto das unhas como dos cabelos ficam mais expostas e parecem (apenas parecem) ter crescido. Mas não se engane!

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