Redes sociais sabem sua orientação sexual mesmo se você estiver fora delas

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Image

Reunindo dados sobre tudo e todos e disponibilizando essas informações, a internet acabou com o controle que tínhamos sobre nossa privacidade. Nas redes sociais, mostramos a todo momento quais são nossos gostos, manifestamos nossas opiniões e disponibilizamos nossos círculos de contatos. E estar fora das redes não é garantia nenhuma de que não seremos bisbilhotados.

Uma pesquisa publicada na revista "Science Advances" mostra que é possível saber, analisando dados de usuários de redes sociais, informações de pessoas que nunca usaram tais redes. Isso porque as pessoas tendem a se conectar com quem é semelhante a elas, dentro ou fora das redes. Se pessoas que você conhece falam de você em perfis e postagens... bingo! Há dados suficientes para saber quem você é, por mais ausente que você esteja da web.

"Mesmo não tendo uma conta em uma rede social, se você tem dez amigos gays na rede e um heterossexual, os donos da rede podem inferir facilmente que você é gay", diz David García, pesquisador da Escola Técnica Federal de Zurique e autor do estudo.

O pesquisador chama de "perfil sombra" o perfil de alguém que não está na rede social. Para testar se de fato seria possível prever quais seriam as informações de um perfil inexistente de uma pessoa real, foram analisadas informações de 20 milhões de usuários do antigo Friendster, uma rede social que se popularizou no início dos anos 2000, mas que foi superada pelo Facebook e está desativada desde 2011.

Science
Estudo utilizou gráficos para mostrar como se distribuem as conexões entre usuários com base em orientação sexual e estado civil

É ainda possível consultar os arquivos do Friendster. O estudo debruçou-se sobre informações que os usuários publicavam referentes a suas orientações sexuais e status de relacionamento. Analisando com técnicas estatísticas essas informações e os contatos que os usuários possuíam, foi possível estabelecer quais seriam as informações de indivíduos que não possuíam perfil na rede.

"Se as pessoas criassem amizades de forma completamente aleatória, não seria possível inferir esse tipo de informação. Mas como há padrões na forma como criamos amizades, esses padrões podem ser usados para saber os dados de uma pessoa através de seus amigos", disse García, em entrevista ao jornal El País.

O pesquisador notou que homossexuais e bissexuais tendem a se conectar com os usuários de igual orientação sexual. Um padrão ainda mais claro é encontrado quando o recorte é o estado civil. As pessoas casadas tendem a ter conexões com outras pessoas casadas.

De acordo com a pesquisa, qualquer plataforma que tenha acesso aos contatos, telefones e mensagens dos usuários pode prever como seriam os perfis de sombra. Seria possível inferir diferentes dados de pessoas que não divulgam suas informações, como etnia, renda e localização geográfica.

De acordo com a pesquisa, quanto maior o número de usuários em uma rede, mais alta é a capacidade preditiva de informações de pessoas que estão fora dela. "Esses resultados exigem novos paradigmas de privacidade que levem em conta o fato de que as decisões individuais de privacidade não ocorrem isoladamente. Elas são mediadas pelas decisões dos outros", diz o estudo.

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