Clique Ciência: por que o gás hélio deixa a voz fina?

Aretha Yarak

Colaboração para o UOL

Quando inalamos o gás hélio, normalmente usado em balões de festa, nossa voz fica mais aguda por alguns instantes --como a dos atores Juliana Paes e Emílio Dantas no vídeo acima. A brincadeira, que causa gargalhadas, tem uma explicação simples relacionada com o peso do gás. 

Nossa voz é formada nas pregas vocais, que vibram com a passagem do ar que vem dos pulmões. O som formado ali nas pregas, entretanto, é baixo. Ele ganha volume conforme ricocheteia pelas paredes da cavidade oral – garganta, faringe, boca e cavidades nasais. Nossa voz, como a conhecemos, é resultado do caminho que o som faz no ar atmosférico, composto majoritariamente de nitrogênio e oxigênio (esse que a gente respira todo dia).

No entanto, quando inalamos hélio, nossa cavidade vocal fica repleta desse gás leve, que altera a velocidade com que o som se propaga das cordas vocais para o ambiente externo.

"Como viaja a uma velocidade mais rápida do que o 'normal', a voz fica com esse tom 'de pato'", comenta o físico Francisco Guimarães, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP (Universidade de São Paulo).

Se mudamos o peso do ar que respiramos, o deixando mais leve ou mais pesado, a velocidade do som também vai ser alterada. No caso do hélio, ele é bem mais leve do que o ar. "Isso faz com o som tenha um comprimento de onda maior do que o 'normal', e acaba não se acoplando mais perfeitamente com a nossa cavidade oral", explica Guimarães. O resultado é essa voz aguda, chamada de "som de pato".

Embora possa parecer divertido brincar de mudar o timbre da voz com a ingestão de gás hélio, é preciso ter cuidado. Apesar de não ser prejudicial à saúde, inalá-lo em excesso pode causar tontura e asfixia por falta de oxigênio.

Em casos extremos, ele pode, assim como qualquer outro gás, formar pequenas bolhas no cérebro e até levar a AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e morte.

Dá para deixar mais grave também

Se uma pessoa ingerir um gás mais pesado do que o ar, como o xenônio, sua voz ficaria mais grave. Nesse caso, a velocidade da onda seria menor, e também haveria um descompasso de frequência ao ricochetear pela parede da cavidade oral.

"Com os gases mais pesados, entretanto, a caixa acústica dificilmente conseguira ressoar adequadamente. Assim, teríamos uma voz grave, mas baixíssima", explica o físico.

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