Achado na Índia altera origem de um dos maiores mistérios da matemática

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Bodleian Libraries

    Manuscrito indiano Bakhshali é a primeira origem registrada no mundo para símbolo zero

    Manuscrito indiano Bakhshali é a primeira origem registrada no mundo para símbolo zero

A origem do símbolo zero tem sido um dos maiores mistérios matemáticos da história. Afinal, estamos quantificando o nada? Se não todas, algumas respostas foram dadas pela ciência nesta quinta-feira (14). Uma nova pesquisa de datação por carbono revelou que o manuscrito indiano Bakhshali é centenas de anos mais antigo do que se pensava, o que faz dele a primeira origem registrada do mundo para o símbolo zero.

Os resultados, encomendados pela Biblioteca de Bodleian, da Universidade de Oxford, revelam que o manuscrito é do século 3 ou 4, aproximadamente 500 anos mais antigo do que os cientistas acreditavam. Os textos são, portanto, mais velhos do que a inscrição de um zero descoberta no início do século 9 na parede de um templo em Gwalior, também na Índia.

Os achados são altamente significativos para a história da matemática. O símbolo zero que usamos hoje evoluiu a partir de um ponto que foi usado na Índia antiga e que pode ser visto em todo o manuscrito Bakhshali. Esse ponto foi usado originalmente para indicar a magnitude em um sistema de números, como, por exemplo, 10, 100 e 1000.

Reprodução/Bodleian Libraries
Achados no manuscrito indiano Bakhshali são significativos para história da matemática

Embora essa utilização do zero também tenha sido registrada em algumas culturas antigas, como a Maia e Babilônica, o símbolo no manuscrito de Bakhshali é particularmente importante por duas razões.

A primeira é que foi este ponto que evoluiu para um centro oco, o símbolo que usamos hoje. Em segundo, foi apenas na Índia que esse zero se desenvolveu em um número por direito próprio. Isso aconteceu em 628 d.C, alguns séculos após o manuscrito Bakhshali. Na ocasião, o astrônomo e matemático Brahmagupta escreveu um texto chamado "Brahmasphutasiddhanta", que é o primeiro documento a discutir zero como número.

Há muito tempo que a idade exata do Bakhshali tem sido objeto de debate acadêmico. Com base em fatores como o estilo de escrita e o conteúdo literário e matemático, o estudo anterior afirmava que o manuscrito tinha sido produzido entre o 8º e o 12º século.

O novo resultado proposto pelo carbono revela a razão pela qual era tão difícil encontrar a data exata do Bakhshali. É que ele consiste em 70 folhas frágeis de casca de bétula, composto de material de pelo menos três períodos diferentes.

Marcus du Sautoy, professor de Matemática da Oxford, lembra que "hoje, damos por certo que o conceito de zero é fundamental no mundo digital. Mas a criação dele como um número em seu próprio direito, a partir do símbolo de ponto reservado encontrado no Bakhshali, foi um dos maiores avanços na história da matemática", diz. "As descobertas mostram como a matemática vibrante esteve no subcontinente indiano há séculos."

Para Richard Ovenden, bibliotecário de Bodley, "determinar a data do manuscrito é de vital importância para a história da matemática e o estudo da cultura do sul da Ásia inicial". Ele acredita que esses resultados testemunham a tradição científica rica e duradoura do subcontinente.

O manuscrito foi encontrado em 1881 enterrado em um campo em uma aldeia chamada Bakhshali, perto de Peshawar, no que é agora uma região do Paquistão. Encontrado por um agricultor local, acabou adquirido pelo pesquisador AFR Hoernle, que o apresentou à Biblioteca Bodleian em 1902, onde foi mantido desde então.

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