Bebês aprendem com adultos a "sacudir a poeira e dar a volta por cima"

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

A persistência pode ser ensinada desde muito cedo. De acordo com um estudo publicado na revista "Science" desta sexta-feira (22), bebês de 15 meses de vida tendem a agir de forma mais perseverante diante de desafios após verem adultos insistindo em superar dificuldades.

Estudos anteriores já traziam evidências de que adultos que "erram e tentam outra vez" possuem papel importante na educação das crianças. Eles serviriam como exemplos para uma vida esforçada cujo sucesso é a recompensa. Contudo, a investigação de como essa influência ocorre nas crianças pequenas nunca tinha sido feita.

Os resultados obtidos pela equipe de Julia Leonard, do departamento do cérebro e ciências cognitivas do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA, indicam que os bebês aprendem o conceito abstrato da perseverança vendo adultos perseverantes, e generalizam esse comportamento para suas próprias ações.

"Mostrar para as crianças que o trabalho persistente funciona pode encorajá-las a trabalhar duro também", afirmam as autoras no artigo. De acordo com elas, estudos mostram que essa aprendizagem é essencial para o bom desempenho futuro em diferentes atividades.

"A [aprendizagem da] persistência na infância e na primeira infância garante estatisticamente melhores resultados cognitivos a longo prazo", afirma o estudo.

Como foi feito o experimento

As pesquisadoras mediram o tempo que crianças de 15 meses de idade persistiram em uma tarefa depois de ver adultos resolverem problemas com níveis variados de esforço. Foram feitos 256 experimentos.

Nesses experimentos, os bebês assistiram a um adulto ter sucesso em dois tipos de tarefas: abrir um recipiente ou remover um brinquedo de uma argola de chaveiro. As tarefas foram realizadas de duas formas. Em uma, o sucesso ocorria após 30 segundos de insistência. Na outra, bem mais facilmente, após 10 segundos. Também foi utilizado um grupo de controle com bebês que não viram nenhuma tarefa. 

Depois disso, os adultos mostravam para os bebês uma caixa de brinquedo tocando música e a ofereciam para a criança. A caixinha possuía um botão, mas que não funcionava ao ser apertado pelos bebês.

Julia Anne Leonard
Foto mostra momento de experimento em que bebês recebem caixa musical de brinquedo com botão que não funciona

No período de dois minutos em que ficaram sozinhos, os bebês que viram adultos insistirem por mais tempo e tentaram mais vezes fazer a caixa de música funcionar do que as crianças dos outros dois grupos.

Analisando os resultados pela mediana dos grupos (o valor que divide cada grupo ao meio), o conjunto dos bebês que assistiu aos adultos persistentes apertou o botão da caixinha quase o dobro de vezes que o grupo dos bebês que assistiu aos adultos tendo moleza nas tarefas.

A ciência do "tente outra vez"

Segundo as pesquisadoras, a aprendizagem da persistência depende de um conjunto de fatores psicológicos e cognitivos. Contudo, é possível dizer que o conhecimento popular que manda "tentar outra vez" em face dos erros tem respaldo científico.

Todas as culturas enfatizam o valor do esforço e da perseverança. [O papel dessa ênfase] é fundamentado pela ciência."

Para elas, essa aprendizagem tem valor importante para trajetórias de sucesso em atividades como as escolares.

"A forma como crianças pensam a relação entre trabalho árduo e sucesso afetam os resultados na escola. Crianças que acreditam que o esforço é o que determina a realização superam aqueles que acreditam que a capacidade é um traço fixo de cada um", afirmam.

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