Por que há tantas 'estranhas criaturas marinhas desconhecidas'?

Aretha Yarak

Colaboração para o UOL

  • Twitter/@preetalina

    Preeti Desai usou as redes sociais para tentar identificar esse animal, que encontrou numa praia em Texas City

    Preeti Desai usou as redes sociais para tentar identificar esse animal, que encontrou numa praia em Texas City

Depois da passagem do furacão Harvey em agosto pelos Estados Unidos, uma estranha criatura foi achada na costa do Texas. Com o corpo alongado, dentes afiados e sem olhos, o animal tinha um aspecto meio monstruoso e sua imagem acabou viralizando pela internet, gerando diversas teorias – das científicas às mais fantasiosas.

O animal na praia norte-americana foi identificado com uma espécie de enguia por um biólogo especialista. No entanto, não é incomum que se "descubra" bichos esquisitos no mar, os oceanos e suas espécies ainda são um verdadeiro mistério para a humanidade.

Estima-se que existam 10 milhões de espécies vivendo nos oceanos, mas temos apenas 250 mil catalogadas por enquanto."

Paulo Sumida, professor do Instituto de Oceanografia da USP

Isso significa que a gente conhece apenas uma pequena parcela dos animais que moram nas águas profundas. A probabilidade, no entanto, é que a maior parte desses bichos ainda não conhecidos seja minúsculo, de tamanhos milimétricos e assustadores apenas pelas lentes de um microscópio.

Tecnologia e sorte

Como cerca de 90% dos oceanos têm mais de mil metros de profundidade, estudar seres de tamanho tão reduzido e em completa escuridão exige uso de tecnologia de ponta e muito investimento em pesquisa, com uso de submarinos e de equipamentos remotos. Sem isso, não é possível nem fazer a coleta desses animais.

É preciso também contar com a sorte para encontrar grande parte desses animais. E isso vale até mesmo para as espécies grandes, mas consideradas raras e, por isso, pouquíssimo conhecidas pelo público em geral.

"São 360 milhões de quilômetros quadrados de água e 1 bilhão de metros cúbicos de volume", explica Sumida.

Um exemplo da dificuldade no estudo dos animais marinhos é o caso da lula gigante.

Segundo Sumida, foi preciso de séculos de tentativas e pesquisadas para finalmente se conseguir uma filmagem do animal. Sem nunca antes tê-la visto, a ciência sabia de sua existência por evidências encontradas em cachalotes e relatos de marinheiros. Mas, por muito tempo, não havia sequer um registro do animal. "Em relação ao tamanho do mar, esses animais são raros. É difícil encontrá-los, porque não é possível ter controle das regiões profundas o tempo todo", explica.

Por isso, se você cruzar com a carcaça de um bicho estranho e meio monstruoso pela praia, não se assuste. É muito provável que ele esteja com esse aspecto desfigurado porque passou por maus bocados (revirado e arremessado contra pedras e corais) até ser arrastado pela areia.

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