Clique ciência: quais materiais o ácido do seu estômago é capaz de digerir?

Aretha Yarak

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • iStock

O estômago tem um papel importantíssimo no processo de digestão. Sua principal tarefa é decompor tudo o que a gente come, reduzindo a pedaços bem pequenos para que eles possam ser absorvidos pelo intestino. Para conseguir fazer isso, ele produz o suco gástrico, uma mistura rica em ácido clorídrico (HCl) e em enzimas digestivas – a principal delas é a pepsina, responsável pela quebra de proteínas.

O ácido clorídrico é muito corrosivo. Mesmo em concentrações baixas e medianas (como dentro do estômago), ele é capaz de destruir uma série de objetos. De acordo com Henrique Toma, professor titular do Instituto de Química da USP, a concentração do ácido encontrada no estômago já seria suficiente para que ele corroesse materiais como ferro, cobre, alumínio, rochas calcárias e mármore. 

No caso dos metais, a decomposição é feita por uma reação chamada de oxirredução (perda e ganho de elétrons) e é possível ver a formação de bolhas durante a corrosão.

Um estudo publicado no periódico Gastrointestinal Endoscopy em 1997 demonstrou que uma lâmina de barbear se tornou frágil e facilmente quebrável depois de 24 horas de exposição ao ácido gástrico in vitro. No final desse período, o objetivo tinha perdido quase 40% da sua massa original.  

"O ácido clorídrico não consegue, no entanto, atacar a maior parte dos plásticos, o vidro e os metais nobres, como o ouro e a platina", comenta o químico. O HCl consegue degradar ainda sabão e gorduras e óleos vegetais.

Reprodução/giantbomb

Em sua versão comercial, ele é chamado de ácido muriático e é empregado na limpeza de encanamentos e de superfícies de piscinas e concretos. "Ele é altamente tóxico, uma exposição prolongada provoca sérios danos à saúde", comenta o químico Éder Tadeu Gomes Cavalheiro, professor do IQSC (Instituto de Química da USP São Carlos).

Trabalho em conjunto no estômago

Embora seja um ácido classificado como forte e bastante agressivo, o HCl não atua sozinho na quebra dos alimentos dentro do estômago.

Na verdade, sua principal função é criar um ambiente ácido e propício para que as enzimas "acordem" e comecem a trabalhar com o máximo de eficiência possível. "No nosso organismo, ele nunca atua sozinho, será sempre um trabalho em equipe", comenta o químico do Instituto de Química da USP.

Além disso, o suco gástrico contém ainda o muco protetor. Secretada pelo próprio estômago, essa substância cria uma barreira protegendo a mucosa interna contra a ação do ácido. Em situações normais e de equilíbrio interno, o muco protetor é suficiente para evitar lesões que poderiam causar ulcerações e graves hemorragias.

As gastrites são, em grande parte dos casos, desenvolvidas por conta da presença de uma bactéria específica: a Helicobacter pylori ou H.pilori como é conhecida. "É uma bactéria frequente no ambiente e a sua contaminação tem a ver com a condição socioeconômica do paciente. Vivemos em um mundo de contaminação fecal-oral", disse Ramiro Mascarenhas, presidente da Sobed (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva).

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