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Como seria viver em Marte? Cientistas buscam respostas para missões futuras

Ronen Zvulun/Reuters
18.fev.2018 - Pesquisadores israelenses participaram da simulação de uma missão em Marte no deserto Negev, no sul de Israel Imagem: Ronen Zvulun/Reuters

Do UOL, em São Paulo

2018-02-25T04:00:00

25/02/2018 04h00

Para se prepararem para uma futura missão em Marte, muitos pesquisadores têm investido em imersões no deserto. Não à toa, há uma semelhança dessas áreas de pouca precipitação pluviométrica com o ambiente marciano.

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Os desertos de Mojave (EUA), do Atacama (Chile) e de Dhofar (Omã) já foram fontes de estudo. Mais recentemente, seguindo os passos da Nasa (Agência Espacial norte-american) e da ESA (Agência Espacial Europeia), a Agência Espacial de Israel enviou seis pesquisadores para passarem quatro dias acampados no deserto Negev, no sul do país.

A missão, que terminou semana passada, visava investigar vários campos relevantes para uma futura missão de Marte, incluindo comunicações por satélite, os efeitos psicológicos do isolamento, medições de radiação e busca de sinais de vida no solo.

Durante quatro dias, os quatro homens e as duas mulheres moraram em uma pequena cápsula, comendo alimentos desidratados e usando trajes espaciais sempre que deixavam a sede para realizar experimentos em ambientes externos.

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Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia de Israel, foram testados o design da moradia temporal, os trajes espaciais, a infraestrutura de comunicação, bem como os fluxos de trabalho com o Centro de Apoio à Missão.

A equipe --formada por um comandante de campo, um diretor de ciência, um designer de habitat, um investigador de radiação cósmica, um especialista em documentação e um especialista em medicina e alimentos-- também foi submetida a um teste psicológico.

Essa foi a primeira de uma série de missões planejadas a serem conduzidas na Estação Analog Ramon de Marte do Deserto (D-Mars), uma instalação perto de Mitzpeh Ramon, em Israel.  

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Cada vez mais próximos de Marte

Empreendimentos públicos e privados estão em uma corrida para a chegada do homem a Marte. Tanto o ex-presidente Barack Obama quanto Elon  Musk, o fundador da SpaceX, declararam que os seres humanos caminhariam no Planeta Vermelho em poucas décadas.

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Novos concorrentes como a China e Israel estão se juntando aos Estados Unidos e à Rússia no espaço com um programa ambicioso, mesmo que vago, para Marte.
Empresas aeroespaciais como a Blue Origin publicaram esquemas de futuras bases, naves e trajes.

O lançamento bem-sucedido do foguete Falcon Heavy da SpaceX neste mês "nos coloca em um reino completamente diferente do que podemos colocar no espaço, do que podemos enviar para Marte", disse o astronauta análogo Kartik Kumar.

O próximo passo para Marte, ele diz, é lidar com os problemas que não envolvem engenharia, como respostas médicas de emergência e o isolamento.

"Essas são coisas que acho que não podem ser subestimadas", disse Kumar.

Enquanto cosmonautas e astronautas estão aprendendo valiosas habilidades para viagens espaciais na Estação Espacial Internacional, e os Estados Unidos estão usando realidade virtual para treinar cientistas, grande parte do trabalho de preparação para expedições interplanetárias continua a ser realizado na Terra.

(*Com informações da Reuters e da AP)