Viver em outro planeta mudaria seu peso e o número de festas de aniversário

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

Caso fosse possível, uma mudança para outro planeta traria mudanças radicais para nossas vidas. Logo na chegada, já sentiríamos uma boa diferença no peso das malas e do próprio corpo, que poderiam ficar bem mais leves ou pesados --efeito da intensidade do campo gravitacional, que varia de acordo com a massa do astro.

Nossos aniversários também mudariam, podendo demorar mais ou menos para chegar, dependendo do tempo que o planeta levaria para completar uma volta em torno do Sol. E até a passagem do tempo se alteraria, fazendo as coisas passarem de forma mais lenta ou mais rápida com relação ao que ocorre na Terra.

O problema seria sobreviver mais do que alguns segundos em algum lugar fora da Terra. Em Mercúrio, fritaríamos com o calor do Sol. Em Vênus, seríamos dissolvidos e esmagados pela atmosfera ácida e ultradensa. Júpiter, Saturno, Urano e Netuno nem sequer possuem chão para pisar. E Marte, a última esperança, é para efeitos práticos um grande deserto.

Mas é curioso pensar como as diferentes características dos planetas, como a massa, o tamanho, a distância com relação ao Sol e a velocidade de rotação, fariam das férias de um viajante do espaço algo bastante bizarro. Veja abaixo algumas das sensações inusitadas dos dias por lá.

Thinkstock

Ficar mais leve ou mais pesado

Nosso peso, aquele número que aparece na balança, é diferente da nossa massa. A massa não muda, mas o peso é definido pela força gravitacional de atração entre uma pessoa e o planeta em que ela se encontra. Esta força depende da massa do planeta, da massa da pessoa e da distância em que a pessoa se encontra do centro do planeta. E as massas dos planetas variam.

Mercúrio é pequenino, com massa de 3,2 × 10²³ kg, e Júpiter é grandão, com massa de 18.980 × 10²³ kg. Embora a massa da pessoa seja sempre a mesma nos diferentes planetas que ela pode visitar, a massa do planeta e a distância até o seu centro podem variar.

"Espera-se que a pessoa apresente maior peso em planetas maiores, de maior massa. E menor peso à medida que a pessoa se afasta do centro do planeta", explica Marcelo Guzzo, professor titular de física da Unicamp. "Vale lembrar, entretanto, que sua massa é sempre a mesma! Não se "emagrece" subindo num foguete!", completa Guzzo. 

Quanto tempo poderíamos sobreviver em outro planeta?

Anos com mais ou menos dias

Na Terra, o ano dura 365 dias, o tempo que nosso planeta leva para dar uma volta em torno do Sol, no movimento de translação. Já o dia possui 24 horas, tempo que equivale a uma volta em torno do seu eixo (rotação). Essas quantidades de tempo variam para cada planeta de acordo com suas velocidades de rotação e translação.

Quanto mais distante do Sol, maior a órbita dos planetas o percurso para completar uma volta em torno do astro. Por isso, planetas como Mercúrio e Vênus, que estão mais próximos do Sol que a Terra, completam a volta em menos tempo. O contrário ocorre com os planetas mais distantes.

Já o dia pode demorar muito para terminar quando o planeta gira lentamente, como Mercúrio e Vênus. Ou o tempo entre dois "amanheceres" pode ser bem curto quando o planeta gira velozmente, como Júpiter e Saturno.

Outra característica curiosa é que os planetas que não são sólidos têm velocidades de rotação diferentes segundo a latitude. Assim, enquanto na Terra um dia tem duração de 24 horas em qualquer lugar do planeta, em planetas gasosos, um dia pode durar mais ou menos se você estiver no Equador ou longe dele. Como explica Guzzo, se a Terra fosse gasosa, "um dia em Belém (próximo ao Equador) poderia ser mais curto do que um dia em Porto Alegre (mais longe do Equador)".

Tempo um pouquinho diferente

A teoria da relatividade traz como consequência chamada pelos cientistas de dilatação gravitacional do tempo. Trata-se da diferença na quantidade de tempo decorrido entre dois eventos por observadores localizados a diferentes distâncias de uma massa gravitacional. Em outras palavras, o tempo corre mais devagar onde a gravidade é mais forte, e isso ocorre porque a gravidade curva o espaço-tempo.

Isso significa então que o tempo pode passar mais rápido ou mais devagar em diferentes planetas? "Rigorosamente falando, sim, o tempo passa mais devagar a medida que nos aproximamos de mais matéria, quando a gravidade aumenta", afirma Guzzo.

Contudo, essa variação seria extremamente pequena e imperceptível numa viagem para outros planetas. "Variações da passagem do tempo podem ser relevante quando nos aproximamos de objetos muito mais massivos do que planetas, como buracos negros, por exemplo. Mas a gravidade ao redor de objetos como estes é tão grande que seríamos esmagados pelo nosso próprio peso", explica o físico. 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos