Maior teste nuclear da Coreia do Norte levantou montanha e vaporizou rocha

Do UOL, em São Paulo

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    Imagem do Google Earth do Monte Mantap, na Coreia do Norte, mostra os locais dos seis testes nucleares do país. Em vermelho, o local do maior deles

    Imagem do Google Earth do Monte Mantap, na Coreia do Norte, mostra os locais dos seis testes nucleares do país. Em vermelho, o local do maior deles

O maior teste nuclear da Coreia do Norte, realizado em uma camada subterrânea do monte Mantap em 3 de setembro de 2017, teve força para erguer a montanha por cerca de 2 metros, fazer sua superfície voar por quase 4 metros e vaporizar rocha de granito em um espaço do tamanho de um campo de futebol.

Um estudo publicado nesta quinta-feira (10) na revista Science utilizou uma combinação de imagens de satélite e registros sísmicos para fazer os cálculos inéditos.

"Ao rastrear com precisão os deslocamentos dos pixels das imagens [de satélite] em várias direções, pudemos medir a deformação tridimensional completa da superfície do Monte Mantap", disse Dreger Roland Bürgmann, professor de ciências terrestres e planetárias da Universidade de Berkeley.

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Os dados coletados pelos cientistas possibilitaram também a identificação do local exato da explosão nuclear, na área de testes nucleares de Punggye-ri. A bomba foi detonada a uma profundidade entre 400 e 600 metros abaixo do pico do Monte Montap.

Uma publicação da Universidade de Berkeley explica que no momento da explosão, a rocha de granito do interior da montanha foi vaporizada, formando-se uma cavidade de cerca de 50 metros de diâmetro. O volume de rochas danificadas alcançou cerca de 300 metros de diâmetro.

Com a explosão, a montanha se elevou por cerca de 2 metros, e sua superfície foi empurrada para fora por cerca de 3,5 metros. Após o estouro, a cavidade no interior da montanha desmoronou, formando uma depressão que deixou o monte Mantap cerca de 0,5 metro mais baixo em comparação com seu tamanho original. Ao todo, um volume com extensão de 1 a 2 km de rocha foi compactado.

Foto: AFP
Em setembro de 2017, o líder norte-coreano Kim Jong-Un (C) inspeciona o que o regime de Pyongyang afirmou se tratar de uma bomba de hidrogênio; o país diz agora estar comprometido em desacelerar seu programa nuclear

O teste nuclear causou um terremoto de magnitude 5.2 na escala Richter na área onde está o monte Montap, no norte do país. Um outro abalo, de magnitude 4,5 na escala Richter, ocorreu cerca de 8,5 minutos após a explosão nuclear, a cerca de 700 metros ao sul de onde foi detonada a bomba.

Como esse segundo abalo teve epicentro entre o ponto de detonação e a entrada do túnel que dava acesso ao local onde foi instalada a bomba, os pesquisadores acreditam que ele possa ter sido causado pelo colapso de parte do túnel ou da cavidade remanescente da explosão.

Para chegar a esses resultados, a equipe liderada por Teng Wang, da Universidade Tecnológica de Nanyang, usou gravações sísmicas de redes globais e regionais e as imagens feitas pelos satélites TerraSAR-X, da Alemanha, e ALOS-2, do Japão.

"Esta é a primeira vez que os deslocamentos tridimensionais completos da superfície associados a um teste nuclear subterrâneo foram visualizados e apresentados ao público", disse Wang.

Explosão maior que a bomba de Hiroshima

Os pesquisadores estimam que o teste nuclear norte-coreano no Monte Mantap usou uma bomba que possuía entre 120 e 300 kilotons --1 quiloton equivale a 1.000 toneladas de dinamite. Trata-se de mais de 10 vezes o poder da bomba lançada pelos Estados Unidos em Hiroshima no fim da Segunda Guerra Mundial.

Com esse poder, o artefato pode ser tanto uma grande bomba atômica (de fissão nuclear) quanto uma pequena bomba de hidrogênio (de fusão nuclear).

O momento em que Kim convida Moon a entrar na Coreia do Norte

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