Clique Ciência: Por que o nariz é o primeiro a "congelar" no frio?

Carlos Oliveira

Colaboração para o UOL

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Brrr, que frio! Todos nós já passamos por isto: o inverno chega, a temperatura abaixa e o nariz fica tão frio que parece que vai congelar e cair! Por que isso acontece?

O nariz esfria rápido por uma série de razões: primeiro, ele é uma das extremidades mais salientes do corpo, assim como as orelhas, as mãos e os pés. Quando o ambiente esfria, órgãos vitais, como coração, fígado e rim, recebem mais sangue do que as áreas periféricas. Em segundo lugar, narizes e orelhas são compostos em boa parte por cartilagem, um tipo de tecido sem muitos vasos sanguíneos, explica Ulisses José Ribeiro, otorrinolaringologista do Hospital São Luiz Jabaquara.

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Também é preciso lembrar que uma função do nariz é justamente esquentar o ar que entra no corpo. Para isso, ocorre a vasodilatação, ou dilatação dos vasos sanguíneos, que acaba por facilitar uma rápida perda de calor do nariz para o ambiente, deixando sua superfície mais fria do que o restante do corpo, acrescenta Maria Theresa Ramos, médica otorrino do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Mas é igual para todo mundo?

Na realidade, não. Cada pessoa --e cada nariz-- é única. Alguns de nós temos mais sensores de temperatura na região nasal e vasos mais finos, o que pode intensificar a sensação de frio.

Para diminuir o desconforto na área nasal, não tem segredo: é preciso diminuir a exposição cobrindo a região com um lenço, máscara de lã ou gorro. Em ambientes fechados, vale utilizar climatizadores, mas buscando evitar que o ambiente fique muito seco.

Para os esportistas que se aventuram na neve ou em montanhas, é recomendável procurar equipamento especializado de proteção. 

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Nariz grande é mais sensível? 

A teoria tem base científica: narizes maiores representam maior área de contato com o ambiente frio. 

Os especialistas concordam que, em teoria, isso favorece quem tem extremidades mais discretas. Mas não se preocupe: na prática, há tantos fatores em jogo que o tamanho do nariz acaba perdendo importância.

O que deve ser levado em consideração é a saúde. Alergias, medicação e mesmo doenças vasculares podem afetar a circulação de sangue na região nasal. 

"Um caso extremo é a Síndrome de Raynaud", diz Lidio Granato, médico otorrino do Hospital Santa Catarina. Esta condição rara causa episódios de diminuição da corrente sanguínea. "Portadores sofrem muito mais que o normal, principalmente no inverno", afirma.

Existe alguma chance de o nariz congelar mesmo? 

Os médicos consultados concordam que as chances são muito baixas, em especial no clima brasileiro. Seria preciso exposição a temperatura negativa por longo tempo antes de qualquer risco surgir.

"É preciso diferenciar 'congelamento' de uma parte do corpo, que se trata de uma emergência médica, da sensação de extremidades frias ou geladas, que é um sintoma comum do inverno", explica Maria Theresa. 

Então esquimós teriam narizes e orelhas pequenos para não congelarem?

"Isso é mito", diz a doutora. "Na verdade, os esquimós têm narizes e orelhas pequenos porque são povos de origem asiática que migraram há milhares de anos para o polo norte-americano e Groenlândia. Povos do Círculo Polar Ártico europeu, por exemplo, também vivem no frio intenso e não têm as mesmas características."

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