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Fóssil raro aponta pterossauro com semelhança a pelicano e vida no deserto

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Pterossauros são os mais antigos vertebrados voadores conhecidos Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

2018-08-13T12:00:00

13/08/2018 12h00

Um pelicano voando no deserto. Pode parecer contraditório para uma ave conhecida pelo bico que enche de peixes e água estar tão distante do mar. Mas essa é a imagem de um pterossauro, o famoso dinossauro voador, sugerida por um fóssil raro descoberto em Utah, nos Estados Unidos. Um estudo que descreve a ossada da espécie Caelestiventus hanseni, de cerca de 210 milhões de anos, foi publicado na revista "Nature" desta segunda-feira (13).

Os pterossauros, ordem à qual pertence o pterodáctilo, são os mais antigos vertebrados voadores conhecidos pelos cientistas. Esses dinos que planavam pelos ares surgiram no final do Triássico (há 215 milhões de anos), período em que os continentes estavam agregados em um território único chamado Pangeia. Eles prosperaram por mais de 160 milhões de anos, até o final do Cretáceo (há 66 milhões de anos), quando ocorreu a extinção em massa dos dinossauros.

O fóssil de pterossauro encontrado nos EUA é antigo, pertencente ao fim do período Triássico, sendo por isso bastante raro. "Registros de pterossauros do Triássico consistem em menos de 30 espécimes, incluindo ossos soltos", dizem os pesquisadores liderados por Brooks Britt, do Museu de Paleontologia da Universidade de Brigham Young.

Além de raro, o achado é quase único. Isso porque quase todos os fósseis conhecidos da época foram encontrados em regiões onde antigamente havia mar. "Eles são exclusivamente de depósitos marinhos dos Alpes (Itália, Áustria e Suíça)", afirma o estudo. A única exceção conhecida até então é a de um fóssil de pterossauro achado em uma região de rios antigos da atual Groenlândia.

Mais do que ter vivido longe de áreas costeiras, o Caelestiventus hanseni provavelmente habitou regiões com características de um deserto. Isso porque, no fim do Triássico, a área que hoje é a América do Norte era seca e quente. "Isso mostra que os primeiros pterossauros estavam amplamente distribuídos geograficamente e eram ecologicamente diversificados, vivendo até mesmo em ambientes desérticos severos", afirma Britt e colegas no estudo.

Segundo os autores, a capacidade de viver em diferentes ambientes pode ter ajudado os pterossauros a sobreviver a uma extinção de espécies que ocorreu no fim do período Triássico.

Nature/Brooks B. Britt et. al
Na imagem, ossos do fóssil de pterossauro encontrado em Utah, nos EUA Imagem: Nature/Brooks B. Britt et. al

Grande envergadura e bico de pelicano

Encontrado em condições excepcionais, o fóssil também surpreendeu os paleontólogos por sua ossatura inusitada, a começar pela envergadura, bastante grande para um pterossauro antigo. O dino de Utah possui 1,5 metro de uma ponta da asa à outra. Em comparação, os pterodáctilos costumavam ter apenas cerca de 75 cm de envergadura.

"Uma análise filogenética mostra [que o novo pterossauro] está intimamente ligado ao Dimorphodon macronyx do início do Jurássico do Reino Unido", afirmam os autores, em referência a um gênero de pterossauro que possuía uma cabeça grande e largura de asas próxima a 1,5 metro.

Além da surpresa relacionada às asas, os cientistas identificaram na mandíbula inferior do fóssil uma borda saliente, o que pode sugerir que a espécie contava com uma bolsa na garganta. Daí a comparação com um pelicano moderno. Para os autores, o novo pterossauro possui "detalhes estruturais e pneumáticos delicados não conhecidos nos primeiros pterossauros", o que permite uma reinterpretação da espécie.

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