Sites de bancos de DNA colocam em xeque privacidade de anônimos, diz estudo

Do UOL, em São Paulo

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Basta um fio de cabelo e uma consulta na internet para encontrar uma pessoa. Dessa forma, bancos de dados abertos podem ser usados por qualquer interessado -- da polícia a empresas que trabalham com pesquisas genéticas. E esse não é o cenário de ficção científica. 

Nos EUA, sites que criam árvores genealógicas e guardam informações genéticas, como DNA Land, Ged Match e My Heritage, já contam com milhões de usuários. Sem regulamentação, o uso dessas informações já ajudou a encontrar criminosos, mas preocupa especialistas por colocar em xeque a privacidade das pessoas.

Um estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (11) mostra que mais de 60% das buscas de DNA feitas nesses bancos de dados permitem encontrar ao menos um primo de terceiro grau do indivíduo procurado, quando não parentes mais próximos ou a própria pessoa.

Os sites funcionam assim: o interessado em saber quem são seus ancestrais ou em construir sua árvore genealógica de forma precisa --identificando todas as pessoas com quem compartilha informação genética-- compra um kit de coleta de DNA e envia uma amostra de pele para a empresa que oferece o serviço. As informações vão parar em um banco de dados que pode ser usado por qualquer usuário cadastrado, bastando para isso a assinatura de um pacote.

O uso destes sites não é mais uma inofensiva curiosidade. Cerca de 7 milhões de kits de teste de DNA foram vendidos apenas em 2017, de acordo com a equipe de pesquisadores liderada por Yaniv Erlich, cientista do repositório MyHeritage. "A genômica do consumidor ganhou popularidade", afirmam. O site MyHeritage diz que tem 99 milhões de usuários em todo o mundo.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela pesquisa publicada na Science, autoridades policiais já exploram as potencialidades do recurso para identificar suspeitos de crimes. "Em um caso notável, autoridades usaram ferramentas de busca de DNA para encontrar o suspeito no caso do 'assassino de Golden State'", afirmam no artigo. Para tanto, uma amostra da cena do crime foi carregada no portal GEDmatch, que conta com 1 milhão de perfis de DNA.

Uma vez que um ou mais parentes são encontrados em repositórios genealógicos, a identidade de um indivíduo pode ser determinada através desses dados combinados com informações específicas, como idade aproximada da pessoa ou área de residência.

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Sucesso em 60% das buscas

Para checar quão eficientes são as pesquisas em bancos de DNA para identificar pessoas, a equipe de Erlich analisou dados de 1,28 milhões de indivíduos testados. "Nós investigamos o poder desta técnica e projetamos que mais de 60% das buscas por indivíduos resultam em um primo de terceiro grau ou em correspondência mais próxima", afirmam os pesquisadores no artigo da Science.

Na pesquisa, os autores conseguiram reconstruir a identidade de uma mulher anônima cujas informações de DNA estavam disponíveis publicamente na internet. "A técnica poderia implicar quase qualquer indivíduo dos Estados Unidos e da Europa no futuro próximo", completam.

Para os pesquisadores, o estudo ressalta a necessidade de políticas que garantam a privacidade genética das pessoas e impeçam o uso indevido de informações genéticas publicamente disponíveis.

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