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Interior de SP identifica nova espécie de dinossauro de 80 milhões de anos

Museu de Paleontologia Pedro Candolo/Divulgação
Thanos simonattoi, um abelissaurídeo encontrado em cidade próxima a São José do Rio Preto Imagem: Museu de Paleontologia Pedro Candolo/Divulgação

Ellen Lima

Colaboração para o UOL, de São José do Rio Preto (SP)

04/12/2018 04h01

Pesquisadores do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, da cidade de Uchoa, a 500 quilômetros de São Paulo, comemoram o registro de uma nova espécie de dinossauro que viveu há 80 milhões de anos: o Thanos simonattoi, que tinha cerca de cinco metros de comprimento e disputava com os megaraptores o topo da cadeia alimentar.

A espécie foi descrita pelos paleontólogos Fabiano Iori e Rafael Delcourt, que analisaram fósseis de sítios arqueológicos de Ibirá e Uchoa, cidades próximas a São José do Rio Preto. O animal pertencia à família dos abelissaurídeos, caracterizados como animais carnívoros e bípedes. 

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"Trata-se do primeiro dinossauro formalmente descrito do período cretáceo. Estava entre os principais predadores da América do Sul", disse Delcourt, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Desde a década de 1960, sabe-se que há fósseis na área. Pesquisadores da cidade de Uchoa e professores de diversas universidades se dedicaram, nas últimas décadas, a coletar material.

Em 1994, a equipe do Museu de Paleontologia de Monte Alto começou a busca por fósseis e teve apoio do sitiante Sérgio Luis Simonatto -- homenageado no 'batismo' da nova espécie. Ele sabia onde havia restos de dinossauro na região e brincava dom dentes dos gigantes quando era criança. Ele se tornou um importante colaborador para a descoberta paleontológica.

Em 1995, foi encontrado parte do fóssil em uma parede rochosa, mas a vegetação abundante impedia a busca do restante do material.

Museu de Paleontologia Pedro Candolo/Divulgação
Dinossauro paulista: ilustração mostra provável habitat em que vivia o dinossauro carnívoro Imagem: Museu de Paleontologia Pedro Candolo/Divulgação
Em 2006, o paleontólogo argentino Fernando Novas viu a peça exposta no Museu de Monte Alto e disse se tratar da segunda vértebra cervical de um dinossauro carnívoro.

Desde então, o paleontólogo Fabiano Vidoi Iori passou a buscar o que faltava no quebra-cabeça. Em 2014, uma forte ventania derrubou algumas árvores no sítio paleontológico e revelou ali, na parede de origem do fóssil, o restante da vértebra.

A descoberta resultou na criação do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, em 2016. No início de 2018 o professor Rafael Delcourt, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), do interior de SP, analisou o fóssil e observou características não presentes em nenhum outro dinossauro. Concluiu, assim, que estava diante uma nova espécie.

A parceria de Delcourt e Iori resultou num estudo publicado neste mês na revista Historical Biology. O nome do bicho traz, além da homenagem a Simonato, uma referência a Tânato, a personificação da morte na mitologia grega, e também nome de personagem da Marvel.

Na próxima quinta-feira (6), o Thanos simonattoi será apresentado publicamente pelos pesquisadores do Museu de Uchoa. A pequena cidade de 10 mil habitantes está orgulhosa de ter, agora, um dinossauro para chamar de conterrâneo.