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Superlua acontece todo mês? Entenda o fenômeno

Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress
A terceira superlua de 2019 pode ser vista nesta quarta-feira (20) no Brasil Imagem: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-03-21T13:09:59

2019-03-25T10:56:05

21/03/2019 13h09Atualizada em 25/03/2019 10h56

Tivemos mais uma última superlua nesta semana. Foi a terceira vez que o fenômeno aconteceu neste ano, curiosamente uma por mês e em dias próximos: 21 de janeiro e 19 de fevereiro e 20 de março. Então, é natural nos perguntarmos: a superlua acontece todo mês?

Não, foi coincidência. A má notícia para quem gosta de observar o céu e acha o fenômeno bonito é que a superlua não é um evento com esse tipo de frequência. Não acontece todo mês e também não tem uma regularidade definida.

Para entendermos isso, precisamos ter noção do que é uma superlua. Não é só uma questão de tamanho.

A órbita da Lua ao redor da Terra não é circular, mas, sim, elíptica. Com isso, há momentos em que o satélite fica mais próximo do nosso planeta.

"Quando a Lua está mais próxima, chamamos de perigeu. A superlua acontece quando a distância dela para a Terra é a menor de sua órbita ao mesmo tempo em que ela está na fase cheia", explica Lanfranchi.

Quando essas duas situações são simultâneas, a Lua aparece até 30% mais brilhante no céu. É o que chamamos de superlua.

O astrofísico explica que esse fenômeno não tem uma regularidade definida. "Às vezes acontece em dois meses seguidos, às vezes passam-se seis meses ou mais sem acontecer", diz Lanfranchi.

A razão para isso é que a sua ocorrência depende de diversos fatores. Entre eles estão a distância da Lua em relação à Terra em seu Perigeu, a fase em que a Lua está e a trajetória da órbita do satélite ao redor do nosso planeta.

Neste último quesito, vale salientar que todos os demais planetas no Sistema Solar, bem como o Sol, provocam mudanças constantes na trajetória tanto da Lua quanto da Terra. Daí essa "aleatoriedade" do fenômeno, o que não permite determinar uma frequência exata de sua ocorrência.

Uma boa forma de entendermos isso é usar uma analogia: imagine, por exemplo, que sabemos que o ponteiro dos segundos de um relógio irá se mover, mas não exatamente a cada um segundo, e sim em um intervalo de tempo variável. Ao analisarmos, porém, o movimento das engrenagens do relógio, é possível traçarmos quando será o próximo movimento, por mais que sua ocorrência tenha uma frequência variável.

Prever a próxima superlua, portanto, equivaleria a "analisar as engrenagens" do relógio hipotético citado acima.

Nem sempre visível

Da mesma maneira, uma série de fatores determinam se você verá, ou não, a superlua em todo o seu esplendor. Além, claro, do céu estar nublado ou não, a sua posição no globo terrestre também influencia a observação.

"O máximo da fase cheia da Lua, bem como o seu perigeu, são bastante precisos. No Brasil, por exemplo, pode acontecer dessa junção de fatores acontecer no final da noite, permitindo que a superlua seja vista com clareza. Na Europa, no entanto, já seria dia", exemplifica Lanfranchi.

Para quem quer observar o astrofísico dá uma dica: há pouca diferença entre o auge da superlua e os instantes próximos a esse momento, então aproveite o período.

Por fim, vale dizer que existe uma espécie de superlua que ocorre quando o satélite está em sua fase nova. "É o mesmo conceito da superlua, ou seja, quando o satélite está no auge de sua fase nova e na menor distância até a Terra", diz Lanfranchi. A diferença é que a "superlua nova" aparece durante o dia.

A próxima superlua cheia está prevista para ocorrer em 9 de março de 2020. Já a próxima superlua nova acontecerá ainda em 2019, no dia 1º de agosto.

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