Topo

Pode acreditar: cientistas descobrem que "sentimos cheiro" com a língua

iStock
Sua língua é ainda mais importante do que você imaginava Imagem: iStock

Renan Dionísio

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-04-25T04:00:00

25/04/2019 04h00

Cientistas do instituto independente de pesquisa Monell Chemical, com sede na Filadélfia (Estados Unidos), descobriram sua língua pode "sentir cheiros". Isso mesmo: os pesquisadores notaram que receptores olfativos funcionais, os sensores responsáveis por detectar os odores no nariz, também podem ser encontrados nas células gustativas da língua.

Contrariando o que se pensava, as interações entre olfato e paladar podem começar pela língua, não pelo cérebro.

Mehmet Hakan Ozdener, biólogo celular do Instituto Monell, disse que a pesquisa pode ajudar a explicar como as moléculas de odor modulam a percepção do paladar. Também pode levar ao desenvolvimento de modificadores de sabor baseados em odor, que seriam uteis ao combate no excesso de sal, açúcar e gordura que estão associados a doenças como diabetes e obesidade.

Um erro comum, e que muitas pessoas cometem, é associar o sabor de algo com o seu gosto, por não saber que na verdade o gosto da maioria das comidas e bebidas está mais associado ao cheiro que ao sabor. Parece confuso, mas não é. Exemplo: quando se está gripado, todas as comidas parecem estar sem gosto. Isso acontece pois você não sente o cheiro da comida.

As células gustativas, responsáveis por sentir o gosto (ou seja, o doce, o salgado, o azedo e o amargo), funcionam como um portão que calcula os valores nutritivos e de toxidade que colocamos na boca. O olfato é responsável por dar informações sobre o sabor da comida - se é de banana, maçã ou abacaxi, por exemplo.

Gosto e cheiro sempre foram considerados sistemas sensoriais independentes, que só interagiam após suas respectivas informações alcançarem o cérebro. Até agora.

Ozdener e outros cientistas usaram métodos desenvolvidos no próprio instituto para manter as moléculas gustativas vivas durante os experimentos. Através de métodos genéticos e bioquímicos, eles descobriram que as células do paladar contêm moléculas-chave conhecidas por estarem presentes nos receptores olfativos. Em seguida, usaram um método para mostrar que as células gustativas respondem às moléculas de odor de maneira parecida com às células receptoras olfativas.

Essas descobertas abrem muitas portas para o entendimento de que tipo de interação os receptores olfativos têm no sistema gustativo humano. Outros experimentos do instituto demonstraram que uma célula gustativa pode conter receptores gustativos e olfativos. E ainda podem ajudar a compreender como o sistema olfativo detecta odores, pois ainda não se sabe quais moléculas ativam a grande maioria dos 400 tipos diferentes de receptores olfativos humanos.

Os cientistas ainda estão buscando respostas que determinarão se os receptores olfativos estão localizados em células gustativas especificas, como células que detectam doce ou salgado. Outros testes buscam saber como as moléculas de odor interferem nas respostas das células gustativas e, por último, a percepção humana de gosto.

Mais Ciência