Homo sapiens chegou mais cedo à Europa do que se pensava

John Noble Wilford

  • Jim Hollander/EFE

    Foto de parte do crânio de um Homo Sapiens (centro), encontrado na caverna de Manot, na Galileia (no noroeste de Israel), colocado entre o crânio de um Neanderthal (direita) e um crânio completo de Homo Sapiens (esquerda)

    Foto de parte do crânio de um Homo Sapiens (centro), encontrado na caverna de Manot, na Galileia (no noroeste de Israel), colocado entre o crânio de um Neanderthal (direita) e um crânio completo de Homo Sapiens (esquerda)

Se fosse possível encontrar um ou dois neandertais com quem conversar, talvez fosse possível ficar por dentro da corrida migratória recente para a Europa. Mais de 40 mil anos atrás, os neandertais dominaram o que se conhece hoje em dia como a Europa. Então, um bando de pessoas chegou, mais recentemente da África, que introduziram novas habilidades e criatividade. Em questão de alguns milhares de anos, esses humanos anatomicamente modernos, o "Homo sapiens", levaram os neandertais à extinção.

Ninguém está sugerindo que a atual população nativa da Europa corra risco de perder seu lugar. Coincidentemente, no entanto, pesquisa divulgada na semana passada no periódico "Science" confere peso a achados recentes segundo os quais os primeiros migrantes humanos modernos chegaram mais cedo do que se pensava, talvez há pelo menos 43.500 ou 45 mil anos.

Os dois dentes encontrados em sítios arqueológicos separados na Itália parecem contar a história do efeito inicial do "Homo sapiens" na Europa meridional. Os dentes eram de humanos modernos que viveram há 41 mil anos, concluíram os cientistas. O fato pareceu resolver um antigo debate sobre se as lâminas de pedra afiadas e os ornamentos encontrados nos sítios pertenciam a humanos modernos ou a neandertais.

Os cientistas afirmaram que o incisivo de Riparo Bombrini combina com o formato de dentes humanos. O outro incisivo, da caverna Grotto di Fumane, continha algum DNA de um tipo humano moderno. Chefiados por Stephano Benazzi, da Universidade de Bolonha, os cientistas disseram que isso demostra que "esse indivíduo era um humano moderno ou tinha algum ancestral que era um humano moderno".

Segundo a equipe de pesquisa, os dentes representavam os restos mortais mais velhos em um contexto arqueológico de uma cultura ligada ao Período Aurignaciano que produziu artefatos definindo a disseminação primitiva de humanos modernos no sul e no oeste da Europa. Nas palavras da equipe de Benazzi, a dispersão "pode, portanto, ter sido uma causa (direta ou indireta) da extinção dos neandertais, pelo menos no norte da Itália".

Outros paleontólogos e arqueólogos disseram que a descoberta apoiava achados recentes das primeiras chegadas do "Homo sapiens" à Europa.

Em comentário também presente na reportagem da "Science", Nicholas J. Conard e Michael Boluss, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, declararam que embora ainda existam céticos, a pesquisa "parece confiável".

Eles chamaram a descoberta de "um bem-vindo passo adiante no estabelecimento da narrativa da colonização europeia por humanos modernos; os registros fósseis humanos e arqueológicos muito certamente vão se mostrar mais complexos e fascinantes do que sugere nossa visão atual".

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