No fundo do mar escuro, corais criam sua própria luz para sobreviver

Joanna Klein

  • J. Wiedenmann via The New York Times

Corais são bonitos, coloridos e fluorescentes. Eles produzem suas cores vibrantes porque não vivem sozinhos, e isso é também o que os mantém vivos.

Ao longo de bilhões de anos, eles criaram um arranjo especial com as algas: os corais lhes dão abrigo e as algas convertem a luz em alimento para os corais. Estes também fazem outras coisas para as algas. Dentro de seu tecido existem proteínas pequenas que absorvem a luz ultravioleta do sol e a transformam em um protetor solar verde resplandecente, protegendo do sol esses corais que vivem logo abaixo da superfície da água.

J. Wiedenmann via The New York Times

Contudo, nas escuras águas profundas, a pouca luz que desce tão longe tem somente a parte azul do espectro. De alguma forma, existem corais que vivem a dezenas de metros abaixo da superfície e que também conseguem criar tons radiantes de laranja e vermelho.

Até agora, os motivos para essa fluorescência permaneceram um mistério. Esses corais do mar profundo brilham para obter mais luz solar, segundo estudo publicado em cinco de julho em "Proceedings of the Royal Society B". Suas proteínas absorvem a luz escassa e a reproduzem em tons de laranja e vermelho, que penetram seus tecidos onde seus colegas microscópicos moram. Isso significa que existe luz para fotossíntese e que as algas criam energia e comida para o coral.

"Essa é uma estratégia que alguns corais buscam para lidar com os desafios de um ambiente com pouca luz", diz Joerg Wiedenmann, biólogo da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que chefiou o estudo. É uma bela adaptação, com um subproduto brilhante.

J. Wiedenmann via The New York Times

A pesquisa poderia ter implicações para a conservação dos recifes de coral ao ressaltar como suas diferentes espécies se adaptam às diversas condições de luz. Durante décadas os cientistas cogitaram a ideia de que os recifes do mar profundo poderiam oferecer um porto seguro para os corais de água rasa durante os momentos ameaçadores de calor extremo. A hipótese é a de que larvas de corais da superfície poderiam ser levadas para as profundezas pelas correntes, conseguindo sobreviver a ponto de se reproduzir e enviar seus descendentes para águas rasas quando as temperaturas voltassem ao normal.

Mas "as profundezas podem não oferecer uma rota de fuga conveniente", diz Wiedenmann. Ele diz temer que os corais de superfície podem não ser capazes de se adaptar à pouca luz na profundidade. "Temos que garantir que seus lares no raso continuem habitáveis", afirma.

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