Nossos ancestrais comiam humanos? Marcas em ossos sugerem ritual canibal há 15 mil anos

Steph Yin

  • Gregg Newton/Reuters

Quando Silvia Bello dá palestras sobre canibalismo, começa pedindo para a audiência para imaginar um canibal.

"Em geral, as pessoas pensam em Hannibal Lecter ou algo que seja perturbador", afirma a antropóloga do Museu de História Natural de Londres.

Mas evidências arqueológicas sugerem que a maioria dos casos de canibalismo da história humana não foi cometida por assassinos em série; na verdade, ocorreu por motivos complexos e variados. Milhares de anos atrás na Grã-Bretanha, por exemplo, as pessoas parecem ter se alimentado de sua própria espécie como parte de um intrincado costume funerário que combinava tanto nutrição quanto ritual.

Em um sítio arqueológico chamado Caverna de Gough, no sudoeste da Inglaterra, ossos humanos de 15 mil anos carregam sinais inconfundíveis de canibalismo, como marcas de cortes e impressões de dentes humanos que sugerem que mesmo as extremidades dos dedos dos pés e costelas foram mastigadas para conseguir cada restinho de gordura ou tutano. Mas os ossos também pareciam ter sido usados em tradições culturais.

The Trustees of the Natural History Museum, London via The New York Times
Ossos de 15 mil anos mostram sinais em zigue-zague que seriam marcas de ritual canibal na Grã-Bretanha

Em um artigo publicado na revista PLOS ONE deste mês, Bello e seus colegas relatam que parece existir um desenho proposital de um padrão em ziguezague em um osso de um braço humano, o que indicaria um ritual.

No estudo mais recente, Bello e seus colegas compararam as incisões no osso do braço em questão com centenas de marcas de cortes em ossos humanos e animais de Gough, assim como gravuras em ossos de animais da caverna e de outros sítios arqueológicos.

As marcas de cortes no osso do braço possuem incisões diferentes, segundo os pesquisadores. Parece que quem fez os desenhos lixou o osso para frente e para trás deliberadamente para fazer traços mais profundos, amplos e visíveis.

"É possível que as pessoas praticassem canibalismo como uma maneira de descartar, ou ao menos de homenagear, os mortos. Nesse contexto, desenhar no osso pode ter sido uma maneira de estender a memória do morto antes que o corpo fosse cortado e comido, embora essa ideia seja apenas uma especulação", afirma Bello.

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