Você é o que você come? Este ditado é bem adequado para as abelhas

Aneri Pattani

  • IStock

"Você é o que come" é um ditado comum entre os humanos, mas um novo estudo explica por que pode ser mais adequado às abelhas melíferas.

Em um estudo publicado em 31 de agosto na "PLOS Genetics", pesquisadores constataram que moléculas específicas na mistura de pólen e mel de que a larva da abelha se alimenta provocam mudanças físicas que determinam se as fêmeas vão se transformar em rainhas reprodutoras e terão vida longa ou em operárias estéreis que alimentam as larvas e coletam alimentos.

Há muito tempo os pesquisadores sabem que essas diferenças não são determinadas no nascimento, mas sim fruto da dieta. As larvas que ingerem a geleia real, substância secretada pelas glândulas de suas cuidadoras, transformam-se em rainhas, enquanto as que comem a mistura de pólen e mel, conhecida como "pão de abelhas", tornam-se operárias.

A pesquisa anterior se concentrava no papel da proteína e da geleia real, rica em açúcar, no desenvolvimento da casta, mas este estudo encontrou um novo elemento: moléculas vegetais pequenas chamadas microRNA. Essas moléculas podem afetar o tamanho e a cor das plantas, além de desempenhar um papel crucial no desenvolvimento da abelha. Transferido para o inseto por meio do pão de abelha, o microRNA pode afetar os genes e atrasar o desenvolvimento físico, mantendo a abelha estéril.

"Nenhuma substância é suficiente sozinha. A geleia real e o microRNA vegetal atuam juntos para afetar a formação da casta", afirma Chen-Yu Zhang, coautor do estudo e professor de bioquímica da Universidade de Nanquim, na China.

Pesquisadores criaram abelhas no laboratório para estudar os efeitos do microRNA vegetal no pão de abelha. Eles constataram que as larvas alimentadas com dieta suplementada com o material botânico tinham corpos e ovários menores do que as criadas sem o suplemento. Experiências adicionais mostraram que um dos tipos mais comuns de microRNA vegetal encontrado no pão de abelha visa um gene do inseto, TOR, que ajuda a determinar a casta.

"Eles fizeram um belo trabalho documentando o papel específico do microRNA que tem um impacto muito profundo nesse desenvolvimento. É fascinante. Dependendo do que come, você termina de forma bem diferente", diz Xiangdong Fu, professor de medicina celular e molecular da Universidade da Califórnia, campus de San Diego, que não participou do estudo.

Essa informação pode ajudar a esclarecer a misteriosa morte de abelhas na última década, o que teria impacto imenso na agricultura.

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