Cientistas desvendam segredo das cores das borboletas e criam espécie preta e prata

Nicholas Wade

  • Darli Massardo/Universidade de Chicago/The New York Times

    As cores naturais da asa de uma borboleta monarca, à esquerda, comparada a uma outra que foi submetida a técnica de edição de genes

    As cores naturais da asa de uma borboleta monarca, à esquerda, comparada a uma outra que foi submetida a técnica de edição de genes

Somente a natureza pode pintar as belíssimas cores e padrões nas asas de uma borboleta. Mas os cientistas agora dizem ter dominado os primeiros passos do sistema de coloração e esperam daqui a algum tempo controlá-lo, possibilitando a criação dos desenhos de asas de borboletas vivas.

O desenho e as cores nas asas de borboletas são controlados por conjuntos de genes. A nova técnica de edição genética CRISPR-Cas torna muito mais fácil descobrir o que um gene faz, ao removê-lo para ver o que acontece.

Duas equipes de biólogos publicaram na revista "The Proceedings of the National Academy of Sciences" o uso da técnica para explorar os papéis de dois genes principais que controlam a aparência das asas do inseto.

Richard Wallbank/Smithsonian Institution e University of Cambridge/The New York Times
As cores naturais da asa de uma borboleta Sara Longwing, à esquerda, em comparação com uma borboleta mutante
O grupo liderado por Linlin Zhang e Robert D. Reed, da Universidade de Cornell, em Nova York (EUA), descobriu que um gene chamado optix desempenha um papel fundamental: controla toda a cor da asa de uma borboleta. Quando o optix é excluído dos ovos da borboleta-maracujá-silvestre, o resultado é um adulto com asas em preto e prata opacos.

Isso porque, na ausência do gene optix, as escamas das asas da borboleta produzem melanina, um pigmento preto, em vez da coloração castanha comum.

Os biólogos já suspeitavam que o optix desempenhava um papel na ativação do pigmento marrom. Mas ficaram surpresos com o fato de o pigmento preto ter sido ativado na ausência do optix.

Um segundo grupo, liderado por Anyi Mazo-Vargas da Universidade Cornell e Arnaud Martin da Universidade George Washington, explorou o papel de um gene chamado WntA.

O desenho das borboletas nymphalid consiste em quatro faixas paralelas ao corpo, que correm do centro em direção à ponta das asas. A segunda faixa, chamada de sistema de simetria central, contém o padrão no meio das asas e a terceira faixa contém os desenhos que formam os "olhos".

A equipe de Martin descobriu que, quando o gene WntA é eliminado com a técnica CRISPR, a faixa do sistema de simetria central desaparece inteiramente das asas das borboletas com manchas marrons e "olhos" nas asas.

Mas em outras espécies, a perda de WntA tem efeitos muito diferentes, sugerindo que o gene foi adaptado muitas vezes para desempenhar diferentes papéis em outros padrões à medida que novas espécies de borboletas evoluiam.
 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos