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Alberto Bombig

REPORTAGEM

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PT abre ofensiva jurídica contra Moro, que agora fala em perseguição

O deputado federal Rui Falcão (PT) esteve na cerimônia - Danilo M Yoshioka/Estadão Conteúdo
O deputado federal Rui Falcão (PT) esteve na cerimônia Imagem: Danilo M Yoshioka/Estadão Conteúdo

Colunista do UOL

27/04/2022 15h36

O PT e seus apoiadores na sociedade civil deflagraram uma ofensiva jurídica contra Sergio Moro. Nesta quarta-feira (27), deputados federais do partido ingressaram na Justiça Federal com ação popular pedindo que o ex-juiz da Lava Jato seja condenado a reparar e ressarcir o erário público por perseguir desafetos políticos. Outras iniciativas semelhantes, segundo apurou a coluna, estão sendo elaboradas para os próximos dias.

À frente da operação Lava Jato, Moro condenou e mandou prender, entre outros, o ex-presidente Lula. A estratégia dos petistas é desgastar o ex-ministro de Jair Bolsonaro na Justiça comum e comprovar a suposta perseguição dele ao maior líder do PT. Moro deixou a magistratura, em 2018 para assumir o Ministério da Justiça. Como juiz, ele só poderia ser alvo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ou de tribunais superiores.

"Moro precisa pagar por todos os prejuízos financeiros, políticos e morais que causou ao patrimônio público nacional e à Justiça brasileira", afirma o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), que subscreve a ação popular com os colegas José Guimarães (PT-CE), Natália Bonavides (PT-RN) e Paulo Pimenta (PT-RS).

De acordo com a ação popular, Moro, hoje filiado ao partido União Brasil, "utilizou-se de sua posição de magistrado para perseguir seus desafetos políticos e abusar da autoridade que gozava para impulsionar um verdadeiro projeto pessoal, trazendo prejuízos de toda sorte ao país. O conflito de interesses foi a marca de sua atuação pública ao longo dos últimos anos".

Moro respondeu à ofensiva jurídica dos petistas. Segundo ele, "líderes do PT demonstram que não aprenderam nada, que estão dispostos a inverter os valores da sociedade e que querem perseguir quem combateu a corrupção em seu governo. É um prenúncio da perseguição que realizarão caso ganhem as eleições, instaurando um regime autoritário e corrupto".

Recentemente, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo encaminhou para o Ministério Público Eleitoral uma notícia-crime contra o ex-juiz e sua mulher, Rosângela Moro, por suposta prática de crime eleitoral na transferência de seus domicílios eleitorais de Campinas para São Paulo. A advogada Gabriela Araújo, que atua no processo em nome da empresária Roberta Luchsinger, tem posto de coordenadora no grupo Prerrogativas, ferrenho opositor de Moro no campo jurídico, e é casada com Emídio de Souza (PT), ex-prefeito de Osasco e muito próximo de Lula.

As novas ações jurídicas contra Moro a serem deflagradas pelo PT ainda estão sendo mantidas sob sigilo. Em pré-campanha para ser candidato ao Senado por São Paulo ou até mesmo para a Presidência, Moro afirmou que "o governo do PT foi manchado pelos maiores escândalos de corrupção da história. A gestão desastrosa do PT quase quebrou a Petrobras e o País, o que prejudicou a economia e eliminou empregos foi a corrupção e não o combate a ela".

Segundo Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas e membro do PT, "a pretexto de combater a corrupção, Moro corrompeu o sistema jurídico e deixou no país um rastro luminoso de destruição e de miséria, com milhares de desempregos e prejuízos incalculáveis. Deve, portanto, responder pelos crimes que cometeu à frente da Lava Jato".