PUBLICIDADE
Topo

Alberto Bombig

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

PT vê aval da ONU como antídoto contra ataques de Bolsonaro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista recente para youtubers - Reprodução/Youtube/Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista recente para youtubers Imagem: Reprodução/Youtube/Lula
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

28/04/2022 15h14Atualizada em 28/04/2022 16h12

A direção do PT e o restrito círculo de conselheiros de Lula comemoraram demais a conclusão do Comitê de Direitos Humanos da ONU de que houve parcialidade no julgamento do ex-presidente, revelada pelo colunista Jamil Chade, do UOL. Para eles, a decisão é o antídoto que o petista precisava para combater os constantes ataques de Jair Bolsonaro (PL) e diminuir a rejeição a Lula no chamado "campo antipetista do eleitorado".

Recentemente, em evento no interior de São Paulo, o presidente da República chamou Lula de "ladrão petista". As críticas de Bolsonaro e seus seguidores no âmbito da moralidade pública e da corrupção têm sido até agora o ponto mais vulnerável da campanha do PT, avaliam integrantes do partido.

Para o partido, a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU é o "atestado definitivo" de que Lula foi vítima de perseguição política por parte da Lava Jato e, por isso, permanece inocente. Com base na posição do órgão internacional, algumas alas petistas querem utilizar a campanha eleitoral para "fazer a inocência do ex-presidente chegar até as ruas", como diz um dirigente do partido. Ou seja, para tentar convencer o eleitorado de que Lula e o partido não se envolveram nos casos de corrupção apontados pela operação.

Mesmo o grupo no partido que defende manter o tema "corrupção" distante da agenda eleitoral, por entender que ele pode beneficiar Bolsonaro e afastar o eleitor de centro, já começa a acreditar que a decisão da ONU, somada à posição adotada até agora pela Justiça brasileira (onde não há condenações do ex-presidente), fornecem elementos suficientes para a reconstrução da imagem de Lula, entre os eleitores antipetistas, como um político honesto.

Até agora Lula praticamente ignorou o tema na propaganda gratuita do partido. Mas é muito grande a possibilidade de que ele utilize parte da campanha eleitoral, inclusive as inserções de TV e de rádio, para defender sua inocência. Em sentido contrário, deverá intensificar os ataques ao governo Bolsonaro como uma gestão corrupta e desonesta.

O PT está trocando o comando de sua equipe de comunicação. Não são poucos no partido que entendem a questão da inocência de Lula como fator primordial para uma vitória nas urnas.