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Alberto Bombig

REPORTAGEM

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Serra diz que dinheiro do jogo não trará ganho para a saúde

17.dez.2019 - O senador José Serra (PSDB-SP) - Pedro França/Agência Senado
17.dez.2019 - O senador José Serra (PSDB-SP) Imagem: Pedro França/Agência Senado
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

24/05/2022 14h29Atualizada em 24/05/2022 14h30

O senador José Serra (PSDB-SP), ex-ministro da Saúde, promete se engajar no combate ao projeto de lei que libera os jogos de azar no país. Ele quer usar seu capital político e administrativo nessa área para desmontar o discurso de que a aprovação do texto trará benefícios para o setor.

"Está óbvio que não há qualquer ganho para a saúde. No Reino Unido, estima-se que 430 mil pessoas maiores de 16 anos têm problemas com o jogo. Se somarmos os familiares, tem-se uma clara ideia da devastação provocada pelo jogo compulsivo", diz o senador.

Quem defende o projeto no Congresso argumenta que parte da arrecadação tributária da jogatina será destinada a financiar a saúde pública brasileira. Segundo Serra, que é referência no setor, trata-se de "pura falácia". "Os argumentos econômicos e de saúde pública contra os jogos de azar nunca foram tão bem fundamentados cientificamente como atualmente", diz Serra.

Segundo a Folha, parlamentares que apoiam o projeto de lei, muitos da base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, enxergam a possibilidade de que a proposta avance no Senado na "janela de oportunidade" que será aberta após as eleições deste ano. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro deste ano.

O texto prevê a criação de uma contribuição para o piso dos enfermeiros, por exemplo, e para o financiamento de programas e ações na saúde pública. Na visão do senador e ex-ministro, porém, o projeto contém "absurdos". Segundo ele, a tributação dos jogos de azar será apenas um terço da carga tributária da gasolina, por exemplo.

Serra foi ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. Na gestão dele à frente da pasta foram implementadas ações importantes e que alcançaram repercussão internacional, como a quebra de patentes de remédios e os mutirões para tratar doenças. Como governador de São Paulo, entre 2007 e 2010, Serra proibiu o cigarro em locais públicos.