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Rejeição a Bolsonaro dispara, mas 32% continuam religiosamente fiéis

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

12/05/2020 15h33

Entra pesquisa, sai pesquisa, os índices de rejeição ao governo Bolsonaro aumentam, mas uma coisa não muda: um terço do leitorado continua religiosamente fiel ao presidente, aconteça o que acontecer.

Na nova pesquisa da CNT/MDA divulgada nesta terça-feira, a avaliação negativa do governo disparou de 31% para 43,4%, o maior já alcançado desde a posse.

Mas quer chamar a atenção para um outro dado: a avaliação positiva oscilou para baixo dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais: caiu de 34,5% para 32% nesse período, em relação à pesquisa de janeiro. Ainda é muita gente.

Não só isso: entre os que aprovam o governo, o índice "ótimo" pulou de 9,5% para 14,3%.

Gostaria que fizessem uma outra pesquisa qualitativa com esses 14,3% do núcleo duro para mostrar o que eles pensam, onde vivem, o que fazem, o que os leva a considerar esse desgoverno ótimo.

Daria um Globo Repórter sobre populações exóticas nos trópicos e muitos estudos científicos sobre esse fenômeno que não consigo entender.

Certamente estão incluídos nesse universo os que defendem a volta da ditadura militar e do AI-5, fazem carreatas da morte pelo fim do isolamento social e manifestações defendendo a intervenção militar, não acreditam na gravidade da crise sanitária provocada pela pandemia e ajudam a espalhar fake news oficiais produzidas pelo "gabinete do ódio".

Se o governo declarar guerra à China, certamente vão apoiar o capitão Bolsonaro. Só não sei se terão a coragem de Roberto Jefferson para pegar um rifle e se alistar nas tropas que combaterão os comunistas aqui e na Ásia.

A avaliação pessoal de Bolsonaro, segundo a pesquisa, é ainda pior do que a de seu governo.

Desaprovam o desempenho do presidente 55,4% dos entrevistados (em janeiro, esse índice era de 47%). Mas 39,2% ainda o aprovam (eram 47,8% na pesquisa anterior).

Em apenas quatro meses, a popularidade de Bolsonaro derreteu e ainda não chegamos ao pico da pandemia que levará inevitavelmente a uma profunda depressão econômica.

Por enquanto, mais de 50 milhões de brasileiros ainda estão sobrevivendo dos R$ 600 reais da ajuda emergencial, mas não se sabe por quanto tempo o governo poderá manter esse benefício.

As próximas pesquisas não deverão trazer boas notícias para Bolsonaro, se ele continuar debochando da pandemia e governando à base de provocações e desfeitas aos outros poderes e entes da federação.

Acossado por investigações no Supremo Tribunal Federal e colocando seu destino político nas mãos do inconfiável Centrão, quantos generais ainda serão necessários para segurar o capitão no cargo?

Vida que segue.

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Balaio do Kotscho