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Bolsonaro perdeu

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

07/06/2020 16h06

Diante do cerco do Judiciário, que ameaça seu mandato, Bolsonaro resolveu partir para o tudo ou nada.

Criou o clima para um confronto neste domingo entre quem é a favor ou contra o governo.

Apelou para a fidelidade dos policiais militares nos estados, deixou a Força Nacional de prontidão, em Brasília, e mandou o nanogeneral Heleno para a Esplanada dos Ministérios, pronto para a guerra.

No tira-teima, perdeu.

Em Brasília, no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte, as manifestações antifascistas, pela democracia, contra o governo e antirracistas, deram de 7 a 1 nos apoiadores do governo.

Nem Bolsonaro apareceu na praça dos Três Poderes para apoiar as manifestações antidemocráticas em frente ao Palácio do Planalto, como fez nas últimas sete semanas.

Preferiu receber seus devotos no puxadinho do Alvorada, com cara de derrotado, sem saber o que falar.

Mesmo em tempos de pandemia, que mantém muita gente confinada em casa, como eu, milhares de pessoas saíram às ruas em todo o país contra o governo, com cobertura ao vivo na Globo News, como aconteceu em 2013 e 2016 contra o governo Dilma.

Este domingo, 7 de junho de 2020, pode ter sido um divisor de águas a favor da democracia, como foi a campanha das Diretas Já em 1984.

Não há mal que nunca acabe.

Vida que segue.

Balaio do Kotscho