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Queiroz enlouquece até os robôs: #FechadoComBolsonaroAte2016

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

22/06/2020 15h34

A prisão do ex-PM miliciano Fabrício Queiroz, que abalou os Bolsonaros e seus generais, enlouqueceu até os controladores dos robôs no "gabinete do ódio"

Um dos assuntos mais comentados no Twitter na manhã desta segunda-feira era a hashtag #FechadoComBolsonaroAte2016.

Confundiram 2026, que seria o último ano do segundo mandato do presidente, como os bolsonaristas esperam, com 2016 - por acaso, o ano do golpe jurídico-parlamentar contra Dilma Rousseff, que abriu caminho para a eleição do ex-capitão, dois anos depois.

"Como tantas pessoas, ao mesmo tempo, poderiam cometer o mesmo erro?", indagaram os internautas.

Não foi a primeira vez que um erro desse tipo acontece nas milícianas redes sociais comandadas pelo 02, o vereador Carlos Bolsonaro, mas se ainda havia alguma dúvida de que elas são movidas por uma tropa de robôs, fica cada vez mais difícil negar o óbvio.

A mesma estrutura montada para a difusão de fake news, em escala industrial, na campanha para presidente, alvo de processos que se arrastam no Tribunal Superior Eleitoral, continua em pleno funcionamento, agora como política de comunicação de governo.

As mensagens de ódio e hashtags são criadas por uma central de operações ilegais, que está sendo investigada no Supremo Tribunal Federal, num dos processos que atormentam Bolsonaro & Filhos.

Da central, elas são enviadas para uma rede de blogueiros, jornalistas e apoiadores voluntários que as reproduzem ao infinito.

Depois das operações de busca e apreensão feitas pela Polícia Federal, que envolveram também parlamentares da base do governo, um grupo de blogueiros de extrema-direita enviou um manifesto a Bolsonaro para descumprir determinações judiciais impostas pelo STF, informa reportagem de Fábio Zanini, da Folha, em seu blog.

Os 24 jornalistas e blogueiros que assinam o manifesto fazem um apelo a Bolsonaro para que, "por meio de decreto presidencial, determine a todos os agentes públicos federais que se abstenham de realizar quaisquer diligências do inquérito 4.781 (o das fake news), evitando assim novas afrontas à Constituição Federal e aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros".

Lembra o manifesto que "ordens iníquas não devem ser cumpridas, e sim denunciadas", na mesma linha de declarações já feitas por Bolsonaro sobre decisões do STF.

No TSE, o corregedor dos processos contra a chapa Bolsonaro-Mourão, ministro Og Fernandes, decidiu ignorar documentos do WhatsApp, que permitiriam identificar os autores dos disparos em massa nas eleições de 2018, que estão em posse da CPI das Fake News e do TRE em São Paulo.

Segundo o corregedor, a investigação ainda estaria em fase "prematura", faltando perícia da Polícia Federal na lista de 24 celulares já identificados pela CPI, que seriam responsáveis pela maior parte dos disparos durante o período eleitoral.

Og Fernandes alega que a juntada desse material poderia atrasar o julgamento da ação no TSE, segundo reportagem da Rede Brasil Atual.

Em entrevista ao UOL, a advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, negou a participação do presidente no esquema, que teria sido financiado ilegalmente por empresários, com recursos não declarados, o popular caixa 2, para atacar o adversário no segundo turno, Fernando Haddad.

A ação impetrada pelo PT e outros partidos investiga o eventual abuso de poder econômico durante a eleição, o que poderia levar à cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

Ainda não há data para o julgamento desta ação.

Vida que segue.

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Balaio do Kotscho