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Balaio do Kotscho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mulheres e jovens fazem Lula abrir 18 pontos de vantagem sobre Bolsonaro

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

15/04/2021 11h54

Na mesma tarde de quarta-feira, em que o STF julgava novamente as decisões que beneficiaram Lula para disputar as próximas eleições, era divulgada uma pesquisa do Instituto PoderData, de Brasília, que ouviu 3.500 entrevistados entre 12 e 14 de abril, cujos resultados ajudam a explicar o nervosismo reinante no plenário, no Palácio do Planalto, no cercadinho do Alvorada, no Congresso e nos meios militares nos últimos dias.

Segundo a pesquisa, a primeira feita após a instalação da CPI do Genocídio, o ex-presidente abriu 18 pontos de vantagem sobre Bolsonaro (52% a 34%) no segundo turno da eleição de 2022.

É mais ou menos a mesma diferença dos últimos levantamentos divulgados antes de Lula ser preso pela Lava Jato e impedido de disputar a eleição de 2018, após decisões do STF e do TSE.

Pela primeira vez, o atual presidente não ganha de nenhum dos candidatos da chamada "terceira via", perde até para o apresentador e empresário Luciano Huck e está em empate técnico com os demais.

A vantagem de Lula é maior entre as mulheres (61%) e os jovens (60%), no Nordeste e entre a população sem renda, enquanto Bolsonaro vence entre quem ganha mais de 10 salários mínimos (61%) e homens (47%), especialmente na região Sul.

Lula registrou também o menor índice de rejeição (40%) e, o ex-juiz Moro, a maior (60%), ficando Bolsonaro entre os dois, com 50%.

No primeiro turno, o petista vence por 34% a 31%, ficando os demais pré-candidatos com índices de apenas um dígito, muito abaixo dos dois.

Chama a atenção a resiliência de Bolsonaro em se manter com o apoio de um terço do eleitorado, em todas as pesquisas divulgadas até agora.

Com a entrada de Lula no cenário eleitoral, após as anulação da suas condenações na Lava Jato, pelo ministro Edson Fachin, em decisão monocrática, e a decretação da suspeição de Sergio Moro, pela Segunda Turma do STF, houve uma mudança radical no cenário, que não deixou espaço na procura de um nome competitivo da "terceira via", o que aumentou a pressão sobre o tribunal por parte de setores da mídia, do mercado e dos militares para impedir que o petista volte a se candidatar, como aconteceu em 2018.

Fachin e outros ministros lavajatistas, como Fux e Barroso, mostraram na sessão de ontem empenho principalmente em anular a suspeição de Moro, mas a tendência é que a sua decisão decisão sobre as condenações seja mantida.

Como ainda faltam 18 meses e meio para o primeiro turno da eleição de 2 de outubro do ano que vem, tudo indica que nos vais e vens do STF, quando se trata de julgar os processos do "caso Lula", este cenário de agora ainda poderá mudar, é claro, a depender também da CPI do Genocídio, que investigará o conjunto da obra de Bolsonaro e & Pazuello para o Brasil chegar a mais de 350 mil vidas perdidas e quase 15 milhões de infectados pelo coronavírus, no país onde hoje morre mais gente no mundo, superando o número de nascimentos.

O plenário do STF volta a se reunir na tarde de hoje, para decidir sobre o mérito das duas ações apresentadas pela defesa do petista.

Vida que segue.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL