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Balaio do Kotscho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Brasil de Bolsonaro: mais de 400 mil mortos e 14,4 milhões de desempregados

ONG Rio de Paz faz manifestação em memória aos mais de 400 mil brasileiros mortos pela covid-19 - ONG Rio de Paz/Divulgação
ONG Rio de Paz faz manifestação em memória aos mais de 400 mil brasileiros mortos pela covid-19 Imagem: ONG Rio de Paz/Divulgação
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

30/04/2021 14h24

Até hoje, Bolsonaro não se dignou a visitar um único hospital para consolar os doentes, saber como estão sendo tratados, ver o que é possível fazer para minorar o sofrimento das vítimas da pandemia, que se debatem entre a vida e a morte, amarrados às camas por falta de respiradores e remédios para sedação.

"Eu não sou médico, não posso fazer nada", ele dirá, dando de ombros para a grande tragédia brasileira.

Na cabeça baldia do capitão e do seu guru Paulo Guedes, era preciso primeiro salvar a economia e os empregos, fazer as "reformas" e atrair investimentos, para depois pensar em comprar vacinas e insumos, equipar os hospitais, cuidar da saúde da população.

Pois o resultado está aí: um ano e 400 mil mortes depois, sem apresentar qualquer plano para a geração de empregos, só tapando o sol com a peneira, chegamos ao final de abril de 2021 como epicentro mundial da pandemia, batendo recordes sobre recordes de óbitos e novos casos, com 14,4 milhões de trabalhadores sem emprego e nenhum sinal de recuperação da economia.

Quem é que vai querer investir num país quebrado, que vaza dinheiro pelo ladrão para alimentar parlamentares famintos do Centrão e mordomias de militares, enquanto corta recursos para educação e saúde, e cancela o Censo adiado do ano passado?

Nem a vida, nem a economia: a única coisa que a dupla Bolsonaro & e Guedes conseguiu salvar até agora foi o próprio governo, que balança mas não cai, sustentado por generais cooptados, milícias reais e virtuais, bispos endinheirados e órgãos do governo aparelhados, sob as bênçãos do mercado rentista e da mídia amiga cevada com verbas federais e outras benesses.

Tudo ia muito bem para eles, até que apareceu no meio do caminho uma CPI no Senado, que tirou o capitão do sério, e pode colocar a nu o descalabro da gestão da pandemia. Crimes em série serão agora investigados. O conjunto da obra não é bonito.

Com seu bando de anões cívicos, chefiados por Onyx Lorenzoni, que está mais para tropa do cheque do que para tropa de choque, Bolsonaro já perdeu as primeiras batalhas e adotou a tática de que a melhor defesa é o ataque, avançando para cima de governadores e ministros do Supremo, a imprensa independente e quem mais atravessar no seu caminho.

Cada vez mais isolado interna e externamente, Bolsonaro perdeu a iniciativa das ações e das narrativas, e suas ameaças golpistas não assustam mais ninguém.

Até os cachorros loucos das redes sociais bolsonaristas andam mais mansos, já sem argumentos para defender seu líder.

Com o país paralisado pelo medo da pandemia e sem ânimo para procurar emprego _ segundo o IBGE, o número de pessoas desalentadas chegou a 5,95 milhões no trimestre encerrado em fevereiro _ parece que todos estão à espera de um milagre, aparecer algo sobrenatural capaz de nos tirar do buraco.

E faltam ainda 629 dias para Bolsonaro completar o mandato. Será que vai conseguir? Será que o país aguenta?

Quantos brasileiros ainda terão que morrer antes que o governo consiga vacinar a população no sistema conta-gotas?

São dúvidas que atormentam os brasileiros em busca de respostas.

Vida que segue.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL