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Balaio do Kotscho

"Quem aqui já foi a Dubai?", pergunta Doria na região do brejo paraibano

Governador João Doria (PSDB) participa de evento em Guarabira, no interior da Paraíba  - Divulgação/Marcus Diogo
Governador João Doria (PSDB) participa de evento em Guarabira, no interior da Paraíba Imagem: Divulgação/Marcus Diogo
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Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

25/10/2021 15h19

Na viagem que fez à Paraíba neste final de semana, para garimpar votos na prévia presidencial do PSDB, o governador paulista João Doria deu uma demonstração das dificuldades encontradas pelos candidatos da terceira via, que não passam de um dígito nas pesquisas, para se comunicar nos encontros com a vida real dos eleitores de um Brasil para eles desconhecido.

É um verdadeiro choque cultural. Habituado a frequentar os salões da elite paulistana, no bairro dos Jardins, onde mora, Doria viu-se numa saia justa ao tentar interagir com o auditório, como costuma fazer nos encontros de empresários com políticos, promovidos pela Lide, a sua empresa de eventos.

Em Guarabira, cidade de 59 mil habitantes na região do brejo paraibano, Doria dava uma entrevista coletiva na Câmara de Vereadores, quando soltou o insólito desafio, como relata o repórter Gustavo Schmitt, no Globo.

"Quem aqui já foi a Dubai, levanta a mão."

Diante do espanto da plateia, que caiu na risada — só um deputado tucano levantou a mão —, o governador discorreu sobre soluções para a seca no Nordeste, citando como exemplo a hollywoodiana Dubai, um paraíso erguido no deserto dos Emirados Árabes, onde eu já estive muitos anos atrás, um espanto de luxo e riqueza.

Dubai está para Guarabira mais ou menos como a Maracangalha de Dorival Caymmi está para o Vaticano do papa Francisco, com a diferença de que lá o petróleo jorra como água.

Como se fosse fácil e acessível a qualquer um viajar até lá, Doria se empolgou com a comparação e fez o convite:

"Vá a Dubai, nos Emirados Árabes, onde São Paulo tem um escritório, que foi inaugurado em fevereiro de 2020. Dubai era um deserto completo. Completo. Não tinha um fio de água. Quem aqui já foi a Dubai, se puder levantar o braço. Alguém aqui já teve essa oportunidade? É uma transformação".

De fato, os petrodólares operaram uma grande transformação em Dubai, o que não é o caso de Guarabira. O vídeo está fazendo o maior sucesso nas redes sociais e certamente vai virar meme na campanha presidencial, se Doria vencer as prévias do seu partido.

Por falar nisso, o governador viaja hoje justamente para a Expo Dubai, disposto a ampliar negócios entre São Paulo e os Emirados Árabes, levando na comitiva representantes de empresas como a BRF, Ambev e Raízen, enquanto esquenta a campanha das prévias, com as denúncias de fraudes na filiação fora do prazo de prefeitos em São Paulo, feitas pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o outro pré-presidenciável tucano.

Bruno Araújo, o presidente do partido, já prometeu investigar essas denúncias contra Doria, antes da convenção do partido, marcada para o próximo dia 21 de novembro.

Sobre o episódio da campanha em Guarabira, a assessoria do governador divulgou nota, esclarecendo que "a pergunta foi apenas retórica para explanar como a seca, que afeta milhões no Brasil, pode ser amenizada quando há vontade política e investimento tecnológico".

Com a entrada em cena de Sergio Moro e Rodrigo Pacheco neste fim de semana, já são 11 os pré-candidatos da terceira via para disputar uma vaga com Doria ou Leite no segundo turno contra Lula ou Bolsonaro, se houver segundo turno.

Com tantos candidatos, ninguém poderá falar em difícil escolha.

Vida que segue.