PUBLICIDADE
Topo

Balaio do Kotscho

Leitores pedem mais histórias da vida real, mas sem deixar política de lado

Conteúdo exclusivo para assinantes
Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

23/11/2021 18h19

Como os leitores podem conferir na área de comentários, atendendo ao meu pedido da coluna anterior, muitos leitores sugerem que eu conte mais histórias da vida real e trate de episódios da política brasileira que testemunhei como repórter no último meio século, mas outros sugerem que eu pare de dar opiniões nas minhas análises políticas, e me aposente logo, por não concordarem com a minha opinião.

Mas esses últimos não saem daqui. Devem ser bolsominions, certamente, reais ou robotizados, que aparecem todo dia me esculhambando, qualquer que seja o tema tratado. Além deles, muitos amigos também enviaram sugestões pelo meu e-mail pessoal sobre assuntos que gostariam de ver tratados na coluna.

Entre elas, fiquei emocionado com o depoimento do repórter esportivo Roberto Salim, velho parceiro de redação do meu irmão Ronaldo, que viajaram juntos tantas vezes, cruzando o país em busca de bons personagens para o magnífico programa "Histórias do Esporte", da ESPN, quando a emissora era dirigida pelo José Trajano, hoje colega aqui do UOL.

Foi na newsletter "Ultrajano", editado pelo agora comendador, que Salim publicou o texto abaixo reproduzido, me deixando hoje muito feliz, por ter vindo de um repórter estradeiro da velha guarda como eu, que já passou por Gazeta Esportiva, Placar, TV Cultura, Folha e Estadão.

Dizem que elogio em boca própria é vitupério, mas neste caso, partindo de um colega de profissão, tem muito mais valor. Li suas palavras sobre meu trabalho como se recebesse um prêmio, ainda mais lembrando de reportagens que fiz junto com meu único irmão, um premiado repórter fotográfico, hoje aposentado no paraíso de São Sebastião, no litoral norte paulista.

Em meio à saraivada de criticas que recebo, apanhando todo dia, por nunca ocultar meu lado e minha posição política, a que tenho direito como qualquer cidadão, faz bem pra alma receber também elogios, de vez em quando, não sou hipócrita para negar.

***

SUGESTÕES PARA O BALAIO DO KOTSCHO

por Roberto Salim

Que, sinceramente, não sei se já foram contadas nesses 13 anos de "balaiadas". São histórias que ouvi durante anos do irmão do Ricardo. Ouvi diretamente do Ronaldo Kotscho, outro repórter que conhece cada palmo deste Brasil, cada cantinho de cada Estado.

Minha gente, vocês não têm ideia do que significa Ricardo Kotscho para toda uma geração de jornalistas brasileiros. Ele sempre foi ídolo e moveu muita gente ao exercício digno da profissão.

Sempre foi atrás dos fatos, da reportagem, da entrevista: uma coisa cada vez mais distante dos noticiários nos dias de hoje.

Repórter.

O repórter.

Ricardo Kotscho é como um farol em uma profissão que se dobra ao "achismo" e às fontes oficiais.

Mesmo escrevendo uma coluna em que mistura de tudo, Ricardo Kotscho continua sendo um repórter em seu Balaio: dá furos, conta casos, revela situações históricas.

Também opina, é claro.

Por que jornalista tem opinião, sim.

Por que estou falando do meu ídolo?

Porque ele pediu em sua mais recente coluna uma ajuda a seus leitores: "Quais assuntos o leitor prefere ver tratados no Balaio?"

O Balaio, no caso, é o nome da coluna: Balaio do Kotscho.

Então, aqui vão algumas ideias.

São histórias que ouvi durante anos do irmão do Ricardo.

Trabalhei muitos anos com Ronaldo e sei de muitos detalhes dessa família que confunde sua vida com a reportagem. Dois personagens que carregam o jornalismo nas veias.

Sou fã dos dois.
De uma dupla fantástica.
De histórias incríveis.
Então, vai lá, Ricardo. Algumas sugestões para o Balaio:

1 - Escreva sobre a matéria que você fez sobre o carnaval no interior na cidade de Itapuí e, por problemas técnicos na gráfica da Folha de S. Paulo, foi misturada a uma reportagem que falava sobre desfiles de travestis na capital paulista.

2 - Escreva sobre a matéria que você e Ronaldo fizeram com o Rei do Baião, nos últimos dias de vida de Luiz Gonzaga, na fazenda dele em Exu.

3 - Conte os bastidores da reportagem feita também pela dupla Ricardo-Ronaldo em Canapi, nos tempos de Collor presidente. Saíram fugidos em um Chevette que levantava poeira na estrada e, mesmo assim, pararam para comer rã em um boteco que tinha o distintivo do São Paulo.

4 - Conte sobre as disputas com Ronaldo. Parece que uma vez você sugeriu que o irmão era muito folgado e você colocaria na lápide dele: "Aqui continua descansando Ronaldo Kotscho". E que sua filha Carolina, que gosta muito do tio Ronaldo, disse prontamente: "E na sua lápide, pai, vamos escrever: ? e aqui nos deixa descansar Ricardo Kotscho".

5 - E só para concluir: escreva sobre as brigas de infância. Você (Richard), um são-paulino doente, contra o Ronaldo (Alemão), um santista fanático. Os irmãozinhos brigavam muito?

Enfim, "Richard", são apenas sugestões de um fã que o admira muito.

***

Obrigado, Salim.

Vida que recomeça.